O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou nesta quarta-feira (2), por meio das redes sociais, que não deve colocar em votação a PEC da Anistia, proposta defendida por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração ocorre em meio à crescente pressão de parlamentares bolsonaristas, que ameaçam obstruir votações no Congresso caso a proposta não avance.
Em publicação, Motta destacou as prioridades que, segundo ele, devem guiar os trabalhos legislativos neste momento.
“Saúde, educação, segurança e redução da inflação. Essas são as pautas que o brasileiro quer discutir. O momento político do Brasil exige a busca por propostas que promovam a união na Câmara”, escreveu.
Na terça-feira (1º), o parlamentar já havia demonstrado resistência ao avanço da PEC, informando, segundo a CNN, que está consultando todas as lideranças partidárias, tanto da direita quanto da esquerda, antes de tomar qualquer decisão. Ele também teria deixado claro que é improvável que decida sobre a pauta ainda nesta semana, como exige o PL, partido de Bolsonaro.
Na mesma data, Hugo Motta se reuniu com Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara, e com Lindbergh Farias (RJ), líder do PT, reforçando o tom conciliador ao buscar diálogo com os principais polos políticos da Casa.
A PEC da Anistia propõe anistiar envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, mas tem gerado ampla controvérsia. Enquanto a base bolsonarista pressiona por sua aprovação, setores da oposição e da sociedade civil veem a medida como uma tentativa de esvaziar a responsabilização judicial por ataques à democracia.
A posição de Hugo Motta evidencia um esforço por parte da presidência da Câmara de preservar a estabilidade institucional e evitar que pautas de cunho ideológico ou polarizador dominem o debate legislativo em um momento de sensibilidade política no país.