Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estão encontrando no jiu-jitsu um espaço de acolhimento, convivência e desenvolvimento. Em João Pessoa, o Projeto Infinity, coordenado pelo mestre de jiu-jitsu Felipe Algodão, tem utilizado o esporte como ferramenta de inclusão e apoio ao desenvolvimento de crianças neurodivergentes.
O projeto surgiu a partir da experiência pessoal do mestre Felipe Algodão com crianças autistas e suas famílias. Após acompanhar de perto a rotina de crianças que passaram anos em diferentes terapias sem avanços significativos, Felipe percebeu que o desenvolvimento não acontece apenas por meio de técnicas, mas principalmente nas relações, na convivência e no sentimento de segurança.
A partir dessa vivência, o jiu-jitsu passou a ser aplicado de forma adaptada, sem foco em competição. No Infinity, o esporte é utilizado como apoio pedagógico e social, respeitando o tempo e as particularidades de cada criança.
Criado em 1º de maio de 2025, um dos principais diferenciais do projeto, é a forma como a inclusão é colocada em prática. Nenhuma criança é obrigada a se adaptar a um padrão. O ambiente e a condução das aulas é que se ajustam às necessidades dos alunos. As atividades são individualizadas, e cada criança participa no ritmo em que se sente confortável.
Durante as aulas, os alunos podem treinar com ou sem kimono, usar fones de ouvido em caso de sensibilidade a ruídos e fazer pausas sempre que necessário. Não há comparações nem cobranças por desempenho. O foco está no bem-estar e na segurança emocional.
O projeto atende crianças e pessoas neurodivergentes, incluindo casos de TEA, TDAH, síndrome de Down, deficiências físicas, deficiência visual e usuários de cadeira de rodas. A prática do jiu-jitsu ajuda no desenvolvimento da coordenação motora, do equilíbrio, do autocontrole e da interação social.
De acordo com o professor Felipe Algodão, o foco do projeto não é formar atletas, mas criar um ambiente seguro onde a criança se sinta aceita e segura para expressar as suas emoções.
“Aqui a criança não precisa se encaixar em nada. A gente respeita o tempo dela. O jiu-jitsu é usado para criar vínculo, confiança e ajudar no desenvolvimento, não para cobrar resultado”, afirma.
Pais e responsáveis relatam avanços em relação ao comportamento das crianças, como melhora na comunicação, redução da ansiedade e melhora na convivência social, com reflexos também no ambiente familiar e escolar.
Em um cenário em que ainda são escassas as iniciativas voltadas ao esporte inclusivo, o Projeto Infinity mostra que o jiu-jitsu pode ir além do tatame e se tornar uma ferramenta de apoio, inclusão e cidadania.




