Janeiro Branco chama atenção para adoecimento emocional silencioso

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Brasil está entre os países com maiores índices de ansiedade no mundo

Ansiedade constante, dificuldade para dormir e perda de interesse por atividades cotidianas têm se tornado queixas cada vez mais frequentes nos consultórios. Durante o Janeiro Branco, campanha nacional dedicada à conscientização sobre saúde mental, especialistas chamam atenção para um fenômeno comum: o sofrimento psíquico silencioso, muitas vezes tratado como algo “normal” diante da rotina acelerada da vida moderna.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Brasil está entre os países com maiores índices de ansiedade no mundo. Ao mesmo tempo, quadros de depressão, estresse crônico e síndrome de burnout seguem em crescimento. Apesar disso, falar sobre saúde mental ainda é um tabu para muitas pessoas, o que contribui para o atraso no diagnóstico e no início do tratamento adequado.

De acordo com o psicólogo clínico Suelliton Jackson (CRP 13/6582), que atua há mais de dez anos na área, os sinais de adoecimento emocional costumam ser ignorados ou minimizados. “Alterações persistentes de humor, ansiedade constante, irritabilidade, dificuldades de concentração, cansaço excessivo e sensação de vazio não devem ser encaradas como algo normal da vida moderna. Quando o sofrimento começa a impactar o trabalho, os relacionamentos e a autoestima, é um sinal claro de que a saúde mental precisa de atenção”, explica.

Na prática clínica, o profissional relata que muitos pacientes procuram ajuda apenas após longos períodos enfrentando sozinhos a dor emocional. “Buscar ajuda exige coragem. O processo psicoterapêutico nem sempre é fácil, mas é justamente nesse percurso que surgem transformações profundas. Com escuta qualificada, acolhimento e compromisso, é possível ressignificar histórias marcadas por frustração, traumas e sentimentos de incapacidade”, afirma.

Para o psicólogo, compreender a saúde de forma integral é essencial. “Somos seres biopsicossociais, culturais e espirituais. Cuidar da mente é cuidar da vida. A psicoterapia amplia o autoconhecimento, fortalece emocionalmente e ajuda o indivíduo a reconstruir caminhos mais saudáveis”, completa.

Dentro do contexto do Janeiro Branco, algumas instituições têm buscado aproximar o tema do cotidiano da população. Na Paraíba, o Afrafep Saúde aderiu à campanha com ações em seu Centro Médico, como a distribuição de mensagens de incentivo ao cuidado emocional e o uso de camisas alusivas à campanha pelos profissionais de saúde. “A proposta é contribuir para a naturalização do diálogo sobre saúde mental dentro dos espaços de atendimento”, destaca Suelliton Jackson, que também atende na unidade.

Segundo ele, quando o tema é tratado de forma acessível e sem julgamentos, as pessoas se sentem mais à vontade para reconhecer suas fragilidades e buscar ajuda profissional. O Janeiro Branco propõe exatamente esse movimento: convidar a sociedade a olhar para a saúde mental com mais atenção, responsabilidade e empatia.

Em um cenário de sobrecarga emocional crescente, falar sobre sentimentos, estabelecer limites e procurar apoio especializado deixa de ser sinal de fraqueza e passa a ser um cuidado essencial com a própria vida.

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