O início de 2026 revela uma mudança no comportamento dos proprietários de veículos em relação ao pagamento do IPVA. Dados da Webmotors Autoinsights indicam que 33,18% dos motoristas pretendem parcelar o imposto, percentual que supera os 32,46% dos contribuintes que planejam quitar o tributo à vista.
O cenário representa uma inversão em relação a 2025, quando 58% optaram pelo pagamento integral e apenas 30% escolheram o parcelamento. A mudança ocorre em um contexto no qual os prazos para desconto na cota única já se encerraram em diversos estados, reduzindo o estímulo ao pagamento à vista.
Descontos pouco atrativos impulsionam parcelamento
Entre os principais fatores que explicam a preferência pelo parcelamento está a baixa atratividade dos descontos oferecidos pelos governos estaduais. Segundo o levantamento, 29,10% dos motoristas que decidiram parcelar o IPVA apontaram insatisfação com o abatimento concedido para pagamento à vista.
Em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, o desconto máximo chega a apenas 3%. Em contrapartida, Amapá oferece redução de até 20%, enquanto o Rio Grande do Sul pode conceder até 25%, dependendo do histórico do condutor.
Para o educador financeiro Matheus Oka, o alto nível de endividamento da população também pesa na decisão. Ele destaca que cerca de 80% dos brasileiros possuem algum tipo de dívida, reflexo da falta de planejamento financeiro, especialmente diante de despesas sazonais do início do ano, como contas acumuladas das festas de fim de ano.
Realidade do contribuinte
A situação vivida por muitos motoristas é exemplificada pelo assistente de TI Nelson de Paschoal Filho. Proprietário de dois veículos — um modelo 2019, com IPVA de R$ 1.329,83, e outro de 2020, com imposto de R$ 2.274,40 —, ele optou por pagar à vista o valor menor e parcelar o mais elevado em cinco vezes.
Segundo Nelson, o acúmulo de despesas torna inviável o pagamento integral de ambos os impostos, exigindo escolhas estratégicas para manter o equilíbrio do orçamento doméstico.
Orientação financeira
Especialistas recomendam que contribuintes que ainda tenham prazos em aberto façam um cálculo comparativo antes de decidir. A orientação é avaliar se o desconto oferecido para pagamento à vista supera o rendimento que o dinheiro teria aplicado ou se o parcelamento sem juros permite manter capital em caixa para emergências financeiras.
O movimento observado em 2026 reforça que, diante de descontos limitados e orçamento pressionado, o parcelamento do IPVA passou a ser a alternativa mais viável para grande parte dos motoristas brasileiros.




