O Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties), recebeu, nesta terça (27) e quarta-feira (28), a equipe técnica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para uma série de visitas técnicas aos equipamentos que integram o Complexo Científico do Sertão. A agenda contou ainda com a participação de representantes do Departamento de Estradas de Rodagem (DER).
As visitas fazem parte do acompanhamento operacional dos projetos financiados pelo banco, no âmbito do programa Paraíba Investe Impacto, e têm como objetivo avaliar, de forma aprofundada, o impacto econômico, social e educacional das iniciativas apoiadas pelo BNDES no estado.
O secretário de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior, Claudio Furtado, destacou que a presença da equipe técnica do banco reforça a credibilidade e a robustez do Complexo Científico do Sertão como política pública estruturante. Segundo ele, o projeto materializa uma visão de desenvolvimento que coloca ciência, tecnologia e educação no centro das estratégias do Governo da Paraíba, com capacidade real de transformar o território, gerar oportunidades e reduzir desigualdades regionais.
A primeira parada da comitiva ocorreu no Vale dos Dinossauros, em Sousa, onde foram apresentadas as ações de preservação, pesquisa científica, educação patrimonial e extensão, além do potencial do equipamento para o fortalecimento do turismo científico e cultural no Sertão. Em seguida, os técnicos visitaram a Cidade da Astronomia, em Carrapateira, e encerraram a agenda no Radiotelescópio Bingo, em Aguiar.
De acordo com o BNDES, o Complexo Científico do Sertão está alinhado aos principais critérios de investimento do banco, por se tratar de uma iniciativa multissetorial, que integra ciência, tecnologia, educação, turismo e desenvolvimento regional. O banco destacou ainda que o projeto se diferencia por não se limitar à construção de infraestrutura física, mas por propor uma estratégia integrada de desenvolvimento, com impactos de longo prazo para o Sertão paraibano.
No âmbito do contrato do Paraíba Investe Impacto, que prevê até R$ 800 milhões em investimentos em obras estruturantes no estado, a Cidade da Astronomia já teve seu projeto aprovado, com investimento aproximado de R$ 55 milhões. O programa também contempla outros empreendimentos estratégicos, como o Arco Metropolitano e o Complexo Rodoviário Ponte do Futuro, ampliando o alcance das ações de desenvolvimento sustentável.
O Complexo Científico do Sertão reúne obras, pesquisas e parcerias que conectam comunidades, universidades e instituições internacionais com o objetivo de interiorizar a ciência e transformá-la em motor de desenvolvimento regional. O projeto engloba avanços como o Radiotelescópio Bingo, a construção da Cidade da Astronomia, a requalificação do Vale dos Dinossauros e a implantação do Museu de Arqueologia de Cajazeiras, somando mais de R$ 75,8 milhões em investimentos.
Para o paleontólogo Fábio Cortes, coordenador do Projeto de Geopaleontologia e Arqueologia do Vale dos Dinossauros, a iniciativa é inédita no Brasil, especialmente no Nordeste, ao promover a descentralização da produção acadêmica e científica, historicamente concentrada nas grandes capitais, fortalecendo a paleontologia, o turismo, a educação e a economia local.
Já o coordenador do Projeto da Cidade da Astronomia, Jamilton Rodrigues, ressaltou que a integração entre a Cidade da Astronomia e o Radiotelescópio Bingo cria um ambiente contínuo de produção e circulação de conhecimento científico, conectando pesquisa de ponta, formação acadêmica e divulgação científica, com impactos sociais e territoriais permanentes.
Com todas as etapas concluídas, a expectativa do Governo do Estado é que a região do Vale do Rio do Peixe possa ser formalizada como candidata a Geoparque Mundial da Unesco, colocando a Paraíba ao lado do Geoparque do Araripe, no Ceará, e do Geoparque do Seridó, no Rio Grande do Norte, consolidando o Sertão paraibano como referência nacional e internacional em Ciência, Tecnologia e Inovação.




