A Paraíba passou a integrar o mapeamento e o monitoramento dos recifes rasos ao longo do litoral brasileiro por meio do projeto SER Corais, desenvolvido pelo Instituto Nautilus de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade. No estado, a área contemplada está localizada em Cabedelo, dentro do Parque Estadual Marinho Areia Vermelha.
O programa terá duração de 36 meses e contará com investimento de R$ 5,5 milhões do Fundo Socioambiental, dentro da iniciativa Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Azul. A ação envolve mergulhos científicos, análises ambientais e produção de mapas técnicos, com o objetivo de subsidiar políticas públicas de conservação marinha.
Além do monitoramento, o projeto prevê oficinas técnicas, capacitação profissional e apoio a atividades econômicas sustentáveis associadas aos recifes, fortalecendo a proteção costeira, o turismo e a pesca responsável.
Monitoramento em larga escala
O SER Corais realizará expedições e coleta de dados ambientais ao longo de aproximadamente 2,8 mil quilômetros do litoral brasileiro. A iniciativa irá acompanhar:
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Cobertura coralínea
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Espécies associadas aos recifes
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Presença de espécies exóticas invasoras
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Fatores de estresse ambiental
Também serão produzidos mapas técnicos, relatórios científicos e protocolos de restauração recifal. A atuação ocorrerá em diversos estados do Nordeste e Sudeste, apoiando pelo menos dez unidades de conservação.
O projeto prevê ainda o monitoramento de 28 espécies marinhas, avaliação de duas espécies invasoras prioritárias e a realização de 43 eventos técnicos e oficinas durante sua execução.
Maior iniciativa do país para corais
Segundo o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Aloizio Mercadante, a contratação marca o início de uma das maiores operações já aprovadas no país voltadas exclusivamente à conservação e regeneração de recifes de coral.
A diretora socioambiental do banco, Tereza Campello, destacou que o programa une conservação ambiental, produção de conhecimento e inclusão social, fortalecendo comunidades costeiras e promovendo desenvolvimento sustentável.
Restauração ecológica e inovação tecnológica
O projeto também prevê ações práticas de restauração ecológica, com:
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Cultivo de corais in situ (viveiros no mar)
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Cultivo ex situ (em laboratório)
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Testes de diversidade genética
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Recomposição de áreas degradadas
Outra inovação será a criação de um aplicativo de alerta rápido para espécies invasoras no ambiente marinho, reforçando o sistema nacional de monitoramento de bioinvasões.
A expectativa é de geração de empregos diretos e indiretos, ampliação da capacidade técnica de pesquisadores e fortalecimento da gestão costeira baseada em evidências científicas.
Alinhamento internacional
A operação está alinhada a iniciativas globais como a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, a Década da Restauração de Ecossistemas e o Plano de Ação Nacional para Conservação de Ambientes Coralíneos. O projeto também contribui diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 8, 12, 13 e 14.
Ao integrar ciência, restauração ambiental e desenvolvimento local, o SER Corais reforça o papel do BNDES Azul como instrumento estratégico de proteção dos oceanos e de promoção da economia sustentável no litoral brasileiro.




