O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público da Paraíba (MPPB) discutiram, na terça-feira (10), a criação de um protocolo de segurança cardiovascular voltado para corridas de rua e outros eventos esportivos no estado. A iniciativa foi motivada após o registro de três óbitos ocorridos durante provas ao longo de 2025.
A proposta tem como objetivo padronizar medidas de prevenção e atendimento de emergência, buscando ampliar a proteção à saúde dos atletas. Especialistas e gestores definiram critérios mínimos após a identificação de possíveis falhas no atendimento médico e no uso de desfibriladores externos automáticos (DEA) em eventos anteriores, situações que podem comprometer o socorro imediato em casos de mal súbito.
Entre os pontos centrais está a chamada “Meta dos Três Minutos”, que prevê a aplicação do primeiro choque com desfibrilador em até três minutos após o colapso do atleta. Estudos apontam que a rapidez no atendimento pode elevar as chances de sobrevivência para mais de 70%.
Para viabilizar essa meta, o protocolo sugere a distribuição de desfibriladores ao longo do percurso, com equipamentos disponíveis a cada 2,5 quilômetros de prova, além da presença de ambulâncias posicionadas estrategicamente em diferentes pontos do trajeto, e não apenas na linha de chegada. Também foi definida a obrigatoriedade de designação de um médico responsável técnico, encarregado de validar o plano de atendimento à saúde e de resposta a emergências em cada evento.
A reunião ainda debateu a inclusão de termo de responsabilidade no momento da inscrição dos atletas e a recomendação de avaliação médica prévia, principalmente para pessoas com mais de 35 anos, portadoras de doenças crônicas ou com histórico familiar de morte súbita.
Como encaminhamento imediato, ficou definido que os municípios deverão exigir a apresentação de um plano médico operacional e a indicação de profissional habilitado em reanimação cardiovascular para concessão de alvarás de eventos esportivos.
Nos próximos dias, também estão previstas campanhas educativas sobre corrida segura, conduzidas por conselhos profissionais. Em até 15 dias, interessados poderão apresentar questionamentos formais ao protocolo no site do MPF. Já em um prazo de 30 dias, o órgão se comprometeu a dialogar com a Federação Paraibana de Atletismo para ampliar a fiscalização e incentivar a adoção dos padrões de segurança. Em até 60 dias, as plataformas de inscrição das corridas deverão ser adaptadas para incluir o aceite digital do termo de responsabilidade dos participantes.
A reunião foi conduzida pela procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Janaina Andrade, e pelos promotores de Justiça Leonardo Pereira e Anne Malheiros. Participaram representantes da Sociedade Brasileira de Cardiologia – Regional Paraíba, do Conselho Regional de Medicina da Paraíba, gestores das secretarias de esporte de João Pessoa, Campina Grande, Patos e Sousa, além de entidades ligadas à organização e prática de corridas de rua no estado.




