A confirmação de um caso de sarampo em uma bebê de 6 meses em São Paulo reacendeu o alerta das autoridades de saúde sobre a importância de manter altas coberturas vacinais no Brasil. A criança ainda não tinha idade para receber a vacina, o que reforça a necessidade da imunização coletiva como forma de proteção.
De acordo com o calendário do Sistema Único de Saúde (SUS), a primeira dose da vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — é aplicada aos 12 meses de idade. Já aos 15 meses, a criança deve receber a vacina tetra viral, que amplia a proteção ao incluir também a catapora.
Alta cobertura vacinal protege os mais vulneráveis
Segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, a alta cobertura vacinal cria uma barreira de proteção, conhecida como imunidade coletiva, que impede a circulação do vírus e protege pessoas não imunizadas, como bebês.
Ele explica que a vacina contra o sarampo é altamente eficaz, pois além de prevenir a doença, reduz significativamente a transmissão do vírus, evitando que pessoas vacinadas atuem como portadoras.
O caso registrado em São Paulo está relacionado a uma viagem da família à Bolívia, país que enfrenta um surto da doença desde o ano passado. A situação reforça o risco de casos importados provocarem novos surtos no Brasil.
Queda na cobertura preocupa especialistas
Dados recentes mostram que, embora 92,5% dos bebês tenham recebido a primeira dose da vacina, apenas 77,9% completaram o esquema vacinal no tempo adequado. A redução na cobertura acende um sinal de alerta para o retorno da circulação do vírus.
Especialistas destacam que o sarampo é uma doença altamente contagiosa, especialmente entre pessoas não vacinadas, e que a proteção coletiva depende diretamente da adesão da população às campanhas de vacinação.
Vacinação garante proteção ao longo da vida
A imunização completa garante proteção duradoura, mas pessoas que não possuem comprovante vacinal devem buscar a regularização. Para indivíduos entre 5 e 29 anos, são recomendadas duas doses da vacina, com intervalo de um mês. Já para adultos entre 30 e 59 anos, é indicada uma dose.
A vacina não é recomendada para gestantes e pessoas com o sistema imunológico comprometido.
Brasil mantém status livre da doença, mas risco persiste
Apesar do caso registrado, o Brasil ainda mantém o certificado de país livre do sarampo, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde em 2024, uma vez que não há transmissão sustentada da doença no território nacional.
No entanto, o país já perdeu esse status anteriormente, em 2019, após surtos iniciados por casos importados, o que reforça a necessidade de vigilância constante.
Cenário nas Américas é preocupante
O continente americano enfrenta um aumento significativo nos casos de sarampo. Em 2024, foram registrados mais de 14 mil casos e 29 mortes em 14 países. Já nos primeiros meses deste ano, mais de 7 mil infecções foram confirmadas, indicando uma aceleração preocupante da doença.
A maioria dos casos ocorre em pessoas não vacinadas, especialmente crianças menores de 1 ano, grupo mais vulnerável.
Doença pode causar complicações graves
Embora muitas vezes associada à infância, o sarampo pode provocar complicações sérias, como pneumonia e encefalite, além de levar à morte em casos mais graves.
Outro fator de risco é a queda da imunidade após a infecção, que pode deixar o organismo vulnerável a outras doenças por um período de três a seis meses.
Entre os principais sintomas estão febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza, irritação nos olhos e mal-estar.
Especialistas reforçam que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção e o caminho mais eficaz para evitar novos surtos da doença.




