Malha fina do Imposto de Renda fica mais rigorosa em 2026; veja os erros que mais retêm declarações

Mudanças recentes na faixa de isenção, como a ampliação para rendas mensais de até R$ 5 mil, só terão impacto na declaração que será enviada em 2027.

A cada ano, a Receita Federal amplia o uso de tecnologia para cruzamento de dados e identificação de inconsistências nas declarações do Imposto de Renda. Em 2026, o sistema está ainda mais preciso, e erros como omissão de rendimentos, divergência de valores e deduções indevidas continuam entre os principais motivos para retenção na malha fina.

O prazo para envio da declaração começa nesta segunda-feira (23) e segue até o dia 29 de maio. Quem é obrigado a declarar e perde o prazo pode pagar multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido.

Sistema terá alertas automáticos durante o preenchimento

Entre as novidades deste ano está a implantação de alertas em tempo real enquanto o contribuinte preenche a declaração. Sempre que o sistema identificar algo fora do padrão — como despesas médicas consideradas muito elevadas — o usuário receberá um aviso para revisar as informações.

Outra mudança importante envolve o reforço na fiscalização das despesas médicas, com o avanço do sistema Receita Saúde. A ferramenta passou a exigir a emissão de recibos eletrônicos por profissionais da área, inclusive aqueles vinculados diretamente ao CPF.

Quase 4 milhões caíram na malha fina no último ano

Dados da Receita Federal mostram que cerca de 3,97 milhões de contribuintes tiveram suas declarações retidas no ano passado, o equivalente a 8,7% dos 45,6 milhões de documentos entregues.

O principal motivo foi a dedução com despesas médicas, que liderou o ranking pela segunda vez consecutiva, superando as omissões de rendimentos, historicamente responsáveis pela maior parte das retenções.

Rendimentos e dados financeiros concentram divergências

Especialistas apontam que inconsistências em rendimentos tributáveis estão entre os erros mais frequentes. Salários, aposentadorias e pró-labore costumam gerar problemas, principalmente quando o contribuinte possui mais de uma fonte pagadora.

Também são comuns divergências em valores de imposto retido na fonte e falhas relacionadas a saldos bancários, aplicações financeiras e rendimentos de investimentos, já que essas informações são repassadas diretamente por empresas, bancos e corretoras ao fisco.

Despesas dedutíveis exigem comprovação rigorosa

No caso das despesas médicas, é essencial que os valores declarados estejam respaldados por recibos ou notas fiscais com identificação do prestador e descrição detalhada do serviço.

Já deduções com previdência privada do tipo PGBL, pensão alimentícia e planos de saúde também exigem atenção. Erros como deduzir gastos não permitidos — a exemplo de medicamentos comprados em farmácia — ou deixar de informar reembolsos recebidos podem levar à retenção.

Em relação à educação, só podem ser deduzidas despesas com ensino regular, como creches, ensino fundamental e médio, graduação, pós-graduação e cursos técnicos.

Dependentes e investimentos também geram retenções

Outro erro comum é incluir pessoas que não se enquadram como dependentes pela legislação ou informar o mesmo dependente em mais de uma declaração. Também é frequente a omissão de rendimentos obtidos pelos dependentes, como bolsas e salários de estágio.

No campo dos investimentos, falhas recorrentes envolvem a omissão de rendimentos de aplicações financeiras, a confusão entre rendimentos tributáveis e isentos e a declaração apenas do saldo das contas, sem informar os ganhos obtidos.

Declaração pré-preenchida ajuda, mas revisão é indispensável

O modelo pré-preenchido tem contribuído para reduzir erros, principalmente os relacionados à digitação e à omissão de informações já disponíveis na base da Receita. Mesmo assim, o contribuinte deve revisar cuidadosamente todos os dados antes do envio.

Caso identifique falhas após a entrega, é possível corrigir as informações por meio de uma declaração retificadora. Se a correção ocorrer antes de qualquer notificação do fisco, o risco de penalidades é reduzido.

Documentos devem ser guardados por cinco anos

Especialistas recomendam que todos os comprovantes relacionados à declaração sejam mantidos por pelo menos cinco anos. Entre eles estão recibos médicos e educacionais, informes de rendimentos, contratos e documentos que comprovem vínculo com dependentes.

Com fiscalização cada vez mais digital e automatizada, a orientação é que os contribuintes tenham atenção redobrada ao preencher a declaração para evitar atrasos na restituição ou cobrança de multas.

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