Em uma iniciativa inédita no Brasil, distribuidoras de energia elétrica passaram a incluir, nas faturas de consumo, o número 180 — canal nacional de atendimento à mulher. A medida transforma a conta de luz em um instrumento de utilidade pública, com foco na ampliação do acesso à rede de proteção e no enfrentamento à violência doméstica.
Na Paraíba, a Energisa atende mais de 1,9 milhão de clientes em todos os 223 municípios. Desde março, as contas emitidas pela concessionária passaram a exibir a mensagem: “Violência contra a mulher é crime. Não se cale. Denuncie. Ligue 180”.
A ação faz parte do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, desenvolvido em parceria com o Governo Federal, e já está sendo adotada por distribuidoras em diversas regiões do país. A expectativa é que a iniciativa alcance mais de 212 milhões de pessoas.
Segundo a empresa, o uso da conta de energia como canal de informação amplia o alcance da mensagem, já que o documento chega mensalmente às residências, inclusive em locais onde o acesso a outros meios de comunicação pode ser limitado.
Dados recentes reforçam a importância da medida. Em 2025, o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio, aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No mesmo período, mais de 257 mil mulheres sofreram lesão corporal em contexto de violência doméstica, além de 51 mil casos de violência psicológica.
O Ministério das Mulheres informou que o canal 180 realizou mais de 1 milhão de atendimentos em 2025, com média de cerca de 3 mil por dia, além de mais de 155 mil denúncias registradas. Apenas em janeiro de 2026, foram contabilizados mais de 90 mil atendimentos.
O número 180 funciona de forma gratuita, confidencial e 24 horas por dia. O serviço oferece orientação sobre direitos, registro de denúncias e encaminhamento para a rede de atendimento especializado, com possibilidade de anonimato.
A inclusão do canal nas contas de energia busca ampliar o acesso à informação e fortalecer a rede de proteção, especialmente para mulheres em situação de vulnerabilidade ou isolamento.




