Governo da Paraíba prepara plano integrado para enfrentar possíveis impactos do El Niño

Reunião com representantes de 18 órgãos estaduais discutiu criação de comitê permanente, câmara técnica e sala de situação para monitorar seca, calor, reservatórios, incêndios e outros eventos climáticos extremos

O Governo da Paraíba iniciou a articulação de uma estrutura integrada para monitorar e enfrentar os possíveis impactos do El Niño no estado. Representantes de 18 órgãos da administração direta e indireta participaram de uma reunião para discutir medidas de prevenção e atendimento à população diante da perspectiva de condições mais quentes e secas nos próximos meses.

O encontro foi promovido pela Secretaria de Estado da Infraestrutura e dos Recursos Hídricos (Seirh), na tarde desta quarta-feira (9), no auditório da Procuradoria Geral do Estado (PGE).

A principal proposta é elaborar um decreto governamental que estabeleça três estruturas permanentes: o Comitê Estadual de Monitoramento, Preparação e Resposta aos Eventos Climáticos Extremos, a Câmara Técnica Permanente de Monitoramento e Avaliação de Impactos Climáticos e a Sala Estadual de Situação.

A chefe de gabinete da Seirh, Daniele Machado, que representou o secretário Jovanio Silva, destacou a importância da integração entre os órgãos para permitir o compartilhamento de informações, dados e recursos. A intenção é antecipar medidas e organizar uma atuação conjunta para reduzir eventuais impactos do fenômeno sobre a população paraibana.

Durante a reunião, a diretora executiva de Proteção e Defesa Civil, Márcia Andrade, apresentou informações sobre o El Niño, os possíveis efeitos na Paraíba e as responsabilidades de cada órgão no processo de prevenção e resposta.

Pela proposta apresentada, o Comitê Estadual funcionará como instância estratégica, reunindo diferentes órgãos para analisar cenários, estabelecer prioridades, acompanhar medidas adotadas em cada setor e articular apoio aos municípios.

Já a Câmara Técnica ficará responsável por integrar e interpretar os dados produzidos pelos órgãos especializados. Nas áreas meteorológica, climatológica, hidrológica e de recursos hídricos, essa atribuição ficará vinculada às informações técnicas produzidas pela Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa).

A Sala Estadual de Situação terá caráter operacional e permitirá o acompanhamento contínuo dos riscos. Entre os pontos que deverão ser monitorados estão os níveis dos reservatórios, períodos de estiagem, ondas de calor, incêndios e demandas apresentadas pelos municípios. A estrutura também deverá produzir relatórios para subsidiar decisões do Governo do Estado.

Segundo Márcia Andrade, a proposta busca organizar estruturas e competências já existentes para que funcionem de maneira permanente, sistemática e coordenada. Outro objetivo é fortalecer as Defesas Civis municipais, consideradas fundamentais para a resposta aos eventos extremos.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, provocando alterações na circulação atmosférica e influenciando os regimes de chuva e temperatura em diferentes regiões.

De acordo com informe climático da Aesa citado durante a reunião, a perspectiva para a Paraíba é de tempo mais quente e seco, chuvas mais irregulares e tendência de precipitações abaixo da média histórica. O documento aponta possibilidade de intensificação do fenômeno entre outubro e novembro de 2026.

No Nordeste, uma das principais preocupações associadas ao El Niño é justamente a combinação entre temperaturas mais elevadas e redução ou irregularidade das chuvas, cenário que pode aumentar a pressão sobre os recursos hídricos e ampliar os riscos relacionados à estiagem e aos incêndios.

Em âmbito nacional, foi estruturado em 2026 o Painel El Niño 2026–2027, iniciativa conjunta de órgãos como Inpe, Inmet, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Cemaden, Serviço Geológico do Brasil e Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil para monitoramento e divulgação periódica de informações sobre o fenômeno.

Além da Seirh e da Defesa Civil, participaram da reunião representantes das áreas de Saúde, Desenvolvimento Humano, Meio Ambiente, Agropecuária e Pesca, Agricultura Familiar, Fazenda, Planejamento, Governo, Ciência e Tecnologia, além da PGE, Aesa, Cagepa, Sudema, DER e Corpo de Bombeiros, entre outros órgãos estaduais.

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