Lula e Hugo Motta selam trégua política e alinham votações decisivas para ajuste fiscal de 2026

Os dois primeiros começaram a ser analisados em plenário na segunda (15), e o terceiro deve ser votado ainda nesta terça. Se aprovado, o texto segue para o Senado.

Após semanas de tensão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu no último domingo (14) com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para restabelecer o diálogo entre o Planalto e o comando da Casa. O encontro, revelado nesta terça-feira (16) pelo jornalista Valdo Cruz, da GloboNews, teve como foco o avanço de pautas econômicas consideradas cruciais para o fechamento das contas públicas em 2026.

A reunião ocorreu no Palácio da Alvorada e contou também com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que tem pressionado por articulação política para aprovar projetos que evitem bloqueios no Orçamento do próximo ano.

Lula cobra, Motta responde

Durante o encontro, Lula questionou a escolha do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do projeto da Lei Antifacção. Derrite é ex-secretário de Segurança de São Paulo e aliado de Tarcísio de Freitas, nome cotado para a corrida presidencial de 2026. Hugo Motta reagiu lembrando que a escolha de relatores é prerrogativa da presidência da Câmara. Apesar do tom firme, o Planalto classificou o diálogo como produtivo para “acertar os ponteiros”.

Pressões sobre Motta e fragilidade interna

Motta enfrenta críticas dentro do próprio Centrão, principalmente por decisões polêmicas em plenário, como o arquivamento dos processos de cassação dos deputados Carla Zambelli (PL-SP) e Glauber Braga (PSOL-RJ). O ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, chegou a dizer que a Casa “virou uma esculhambação”, atribuindo o desgaste à atual gestão.

Essa instabilidade aumentou a dependência de Motta em relação ao governo federal, que também tem interesse em estabilizar o relacionamento com a Câmara diante do cenário fiscal delicado.

Três pautas prioritárias

Na reunião, Hugo Motta se comprometeu a agilizar a votação de três projetos considerados centrais pelo Ministério da Fazenda:

  • Conclusão da reforma tributária

  • Projeto que retira despesas de saúde e educação do teto da meta fiscal

  • Corte linear de benefícios tributários, com expectativa de arrecadação extra de R$ 21 bilhões

Os dois primeiros começaram a ser analisados em plenário na segunda (15), e o terceiro deve ser votado ainda nesta terça. Se aprovado, o texto segue para o Senado.

Trégua política e foco no futuro

Interlocutores do governo afirmam que Lula reconhece que manter atritos com a presidência da Câmara só prejudicaria a aprovação de medidas urgentes. Da mesma forma, Motta busca reforçar sua liderança diante de um Congresso cada vez mais fragmentado e tensionado pela disputa política que já aponta para 2026.

A semana promete ser decisiva para consolidar essa reaproximação, em meio a uma pauta econômica intensa e a necessidade urgente de garantir estabilidade fiscal.

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