O padre Egídio de Carvalho Neto e Samuel Rodrigues Cunha foram condenados a ressarcir R$ 525.877,77 ao Instituto São José e à Arquidiocese da Paraíba, como forma de reparação pelos desvios de bens do Hospital Padre Zé.
A sentença foi proferida pelo Juízo da 3ª Vara Criminal da Capital e integra a Operação Indignus. Padre Egídio, então diretor-presidente do Hospital Padre Zé, e Samuel, que atuava como chefe do Setor de Tecnologia da Informação da instituição filantrópica, foram responsabilizados pela apropriação indevida de 676 aparelhos eletrônicos doados pela Receita Federal ao Instituto São José e à Ação Social Arquidiocesana (ASA). Os fatos ocorreram entre 1º de junho e 24 de julho de 2023.
Penas aplicadas
Além do valor a ser ressarcido, Padre Egídio foi condenado a cinco anos, seis meses e 20 dias de reclusão, além de 132 dias-multa, à razão de 1/30 do salário mínimo vigente à época dos fatos.
Samuel Rodrigues Cunha recebeu pena de quatro anos, sete meses e 16 dias de reclusão, além do pagamento de 110 dias-multa, também à razão de 1/30 do salário mínimo vigente à época.
Ambos deverão cumprir a pena inicialmente em regime semiaberto.
Relembre o caso
Em 18 de setembro de 2023, Padre Egídio denunciou o furto de celulares doados pela Receita Federal, apontando Samuel Rodrigues como suspeito. Após a denúncia, ele renunciou à direção do hospital.
As investigações da Polícia Civil culminaram na deflagração da Operação Indignus, após a constatação de irregularidades envolvendo a subtração de mais de 100 aparelhos celulares da instituição. Os equipamentos seriam comercializados em bazar solidário, com o objetivo de arrecadar recursos para aquisição de uma ambulância com UTI e um veículo para distribuição de alimentos.
Em 5 de outubro de 2023, o Gaeco cumpriu 11 mandados judiciais após apurar indícios de desvios de recursos públicos em instituições vinculadas ao padre. As investigações apontaram que cerca de R$ 13 milhões teriam sido desviados por meio de empréstimos, afetando recursos destinados ao SUS.
Diante das denúncias, a Arquidiocese da Paraíba afastou Padre Egídio de qualquer ofício ou encargo eclesiástico, suspendendo suas atividades religiosas.
A gestão do Hospital Padre Zé também solicitou ao Ministério Público auditoria completa nas contas, contratos, convênios e projetos da instituição, após identificar elevado volume de dívidas que comprometeram seu funcionamento.




