Justiça torna novos investigados réus por desvios no Hospital Padre Zé

Processo apura suposto esquema de propina e desvios ligados ao Programa Prato Cheio

O Tribunal de Justiça da Paraíba decidiu, nessa quarta-feira (27), aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público da Paraíba e tornar réus o Padre Egídio de Carvalho, ex-secretários estaduais e outras 14 pessoas investigadas por suposto envolvimento em um esquema de propina relacionado ao Hospital Padre Zé e ao Programa Prato Cheio.

A decisão foi tomada pelo órgão especial da Corte após denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado.

Todos os desembargadores acompanharam o voto do relator do processo, desembargador Márcio Murilo, que apresentou um relatório de 127 páginas durante a sessão.

Ministério Público aponta suposto esquema de “devoluções”

Segundo o Ministério Público, os investigados teriam participado de um esquema de pagamento de propina envolvendo empresas fornecedoras de produtos e serviços para o Hospital Padre Zé e para o Programa Prato Cheio.

De acordo com a denúncia, os pagamentos eram chamados internamente de “devoluções”.

O MPPB afirma que existem elementos suficientes para abertura da ação penal, incluindo extratos bancários, registros financeiros, mensagens e documentos apreendidos durante as investigações.

As apurações também indicam possíveis crimes de lavagem de dinheiro, estelionato, desvio de finalidade e apropriação de recursos públicos e privados.

Segundo o processo, os valores investigados teriam sido operacionalizados por integrantes da administração do Hospital Padre Zé.

Operação Indignus

O caso representa mais um desdobramento da Operação Indignus, que investiga supostas irregularidades na gestão do Hospital Padre Zé e da Ação Social Arquidiocesana.

O Ministério Público aponta ainda que empresas ligadas aos investigados concentravam contratos milionários relacionados ao Programa Prato Cheio.

As investigações incluem análise de mensagens de WhatsApp, documentos bancários e anotações financeiras apreendidas durante as operações policiais.

Defesas afirmam que irão recorrer

Por meio da defesa, Padre Egídio informou que recebeu a decisão “com serenidade” e ressaltou que a abertura da ação penal não representa condenação.

Advogados de outros investigados alegaram supostas nulidades processuais e afirmaram que irão recorrer às instâncias superiores.

Até a última atualização do caso, alguns dos citados não haviam se manifestado oficialmente.

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