EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e ampliam pressão contra facções brasileiras

Medida anunciada pelo governo norte-americano passa a valer em junho e ocorre em meio a divergências entre Washington e Brasília sobre o enquadramento jurídico dos grupos criminosos

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Além da classificação, o Departamento de Estado informou que as duas facções também serão enquadradas como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês), medida que entrará em vigor a partir do próximo dia 5 de junho.

Em comunicado oficial, a gestão do presidente Donald Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil. Segundo o documento, os grupos reúnem milhares de integrantes e estão ligados a ataques contra agentes de segurança pública, autoridades e civis.

O Departamento de Estado destacou ainda que as atividades das facções ultrapassam as fronteiras brasileiras, alcançando outros países da América Latina e também os Estados Unidos por meio de redes criminosas transnacionais.

O anúncio ocorre dois dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Casa Branca. Após o encontro, o parlamentar afirmou ter solicitado ao presidente norte-americano que as duas facções fossem oficialmente reconhecidas como organizações terroristas.

“Enquanto o Lula vai de joelhos implorando para o presidente Trump não considerar facções criminosas como terroristas, eu faço o contrário. E foi isso que eu pedi”, declarou Flávio Bolsonaro ao comentar a reunião.

A decisão do governo americano contrasta com o posicionamento adotado pelo governo brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou à administração norte-americana um documento apresentando argumentos contrários à classificação das facções como grupos terroristas.

De acordo com o Palácio do Planalto, a legislação brasileira não enquadra as atividades do PCC e do Comando Vermelho como terrorismo, uma vez que os crimes praticados pelos grupos estariam relacionados principalmente à obtenção de lucro por meio do tráfico de drogas e armas, e não a motivações de caráter religioso, ideológico ou de ódio.

Após encontro com Donald Trump, Lula afirmou que o tema não foi discutido durante a reunião entre os dois líderes. Na ocasião, o presidente brasileiro defendeu a criação de um grupo de trabalho multilateral voltado ao fortalecimento das ações de combate ao crime organizado internacional.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui