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Último suspeito de envolvimento na morte de integrantes do MST em acampamento é preso, na PB

Ao todo, quatro pessoas foram presas e cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos na Operação Ampulheta.

Último suspeito de envolvimento na morte de integrantes do MST em acampamento é preso, na PB
Foto: Reprodução

O último suspeito do duplo assassinato de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra na Paraíba (MST-PB), em dezembro de 2018, foi preso nesta terça-feira (21), na cidade de Bayeux, Região Metropolitana de João Pessoa. A prisão aconteceu sob força de um mandado de prisão preventiva. Com a prisão de José Aurélio Gomes Melo, de 34 anos, e o cumprimento de mais dois mandados de busca e apreensão, a Polícia Civil encerra a Operação Ampulheta.

José Bernardo da Silva, conhecido como Orlando, e Rodrigo Celestino, foram mortos por homens encapuzados e armados, de acordo com informações do MST, no acampamento Dom José Maria Pires, em Alhandra, na Região Metropolitana de João Pessoa. O duplo homicídio foi confirmado pela Polícia Militar. O crime aconteceu no dia 8 de dezembro de 2018.

Outros dois homens e uma mulher foram presos no dia 17 de maio, em Alhandra e João Pessoa, suspeitos de também terem participado do assassinato no assentamento Dom José Maria Pires. A Polícia Civil também cumpriu três mandados de busca e apreensão. Rawlinson Bezerra de Lima, conhecido como Ralph, Leandro Soares da Silva e Maria de Fátima Santos, têm uma ligação muito próxima dos mandantes do crime e teria participação direta no assassinato.

Segundo Aneilton Castro, delegado da seccional de Polícia Civil em Alhandra, José Aurélio era o único suspeito que faltava ser preso na Operação Ampulheta. “Com essa prisão a Polícia Civil conclui a Operação Ampulheta, cumprindo todos os mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão”, destacou.

Acampamento Dom José Maria Pires foi montado em julho de 2017 na fazenda Igarapu em Alhandra, Litoral Sul da Paraíba — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

 

Motivação do crime

Os dois homens assassinados em dezembro de 2018, no acampamento Dom José Maria Pires, em Alhandra, Região Metropolitana de João Pessoa, teriam sido mortos porque proibiram que pelo menos um dos suspeitos do crime fizessem a extração de areia no local usado para exploração do produto. Conforme a delegada Flávia Assad, o acampamento é uma área de extração, com permissão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra na Paraíba (MST-PB).

De acordo com a delegada, o MST permite que areeiros façam a exploração da areia, mediante o pagamento de R$ 2 mil por mês, sendo R$ 1 mil para o movimento e R$ 1 mil para os assentados. No entanto, um dos suspeitos do crime estava fazendo a extração sem realizar o repasse do dinheiro. Além disso, a extração feita por ele era clandestina, porque acontecia durante a madrugada.

Após descobrir a irregularidade, José Bernardo da Silva, conhecido como Orlando, e Rodrigo Celestino, assassinados em dezembro de 2018, proibiram a extração. Motivado por isso, o suspeito identificado como Rawlinson Bezerra de Lima, conhecido como Ralph, começou a articular a morte dos dois integrantes do MST.

A delegado Roberta Neiva esclareceu que o duplo assassinato não tem nenhuma ligação com o MST. "Não há nenhum tipo de criminalização do Movimento Sem Terra, o crime não tem nenhuma relação com a atividade social do movimento. É um crime motivado por questões pessoais, econômicas, de pessoas que se relacionavam com membros, integrantes do movimento", explicou.

Assentamento Dom José Maria Pires fica localizado em fazenda na cidade de Alhandra  — Foto: Lídia Veloso/Arquivo Pessoal

Assentamento Dom José Maria Pires fica localizado em fazenda na cidade de Alhandra  — Foto: Lídia Veloso/Arquivo Pessoal

 

Entenda o duplo homicídio

Conforme nota oficial divulgada pelo MST-PB, o crime ocorreu por volta da 19h30 no acampamento que fica na fazenda Igarapu, ocupada pelas famílias desde julho de 2017. José Bernardo da Silva e Rodrigo Celestino estavam jantando no momento em que os homens encapuzados entraram no local atiraram várias vezes.

O major M. Lima explicou que segundo as testemunhas do crime, os homens tinham camisas amarradas na cabeça e estavam pelo menos com duas armas de calibres diferentes.

“As armas usadas não eram automáticas ou semiautomáticas, provavelmente, de acordo com as cápsulas encontradas no local, usaram uma espingarda, calibre 12 ou 26, e um revólver calibre 38”, relatou o comandante da Polícia Militar de Alhandra.

A delegada do caso, Lídia Veloso, relatou que o crime é tratado, a princípio, como execução, porque os atiradores mandaram as outras pessoas se afastarem e atiraram somente nas duas vítimas. "Falaram que queriam só eles, mandaram os outros saírem do meio, renderam e atiraram. Por isso trabalhamos com execução", explicou. Lídia Veloso também comentou que as motivações do crime seguem em investigação, mas adiantou que não se tratou de briga de bar.

"Ainda não sabemos realmente o que motivou os executores. Eles moravam no acampamento, que é uma área invadida. Temos várias linhas de investigação, mas até o momento, nenhuma confirmada", avaliou a delegada.

A Polícia Militar informou que não foi possível determinar a quantidade de tiros que feriram e levaram à morte os dois integrantes do MST. A delegada Lídia Veloso relatou que em pelo menos uma das vítimas foram três disparos.

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