O padre Danilo César, da cidade de Areial, firmou um acordo de retratação com a família da cantora Preta Gil e do músico Gilberto Gil. O entendimento ocorre no âmbito de um processo cível por danos morais que tramita na 41ª Vara da Comarca do Rio de Janeiro e ainda aguarda homologação da Justiça.
O caso teve origem após declarações feitas pelo religioso durante uma missa, em 2023, consideradas ofensivas e de cunho intolerante contra religiões de matriz afro-indígena. Para evitar o pagamento de uma indenização estimada em R$ 370 mil, o padre aceitou cumprir uma série de medidas reparatórias.
Entre os termos do acordo está a realização de um pedido público de desculpas, que deverá ser feito nominalmente à família Gil durante uma celebração religiosa. A missa será transmitida pelo canal oficial da paróquia no YouTube, mesmo meio em que as falas foram originalmente divulgadas. No documento, o padre também reconhece que suas declarações causaram dor aos familiares.
O acordo prevê ainda a doação de oito cestas básicas a uma instituição indicada pela família e estabelece prazo de até 30 dias úteis, após homologação judicial, para o cumprimento das medidas. Em caso de descumprimento, está prevista multa de R$ 250 mil.
Na esfera criminal, o religioso já havia firmado, em fevereiro deste ano, um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público Federal na Paraíba. Como parte das condições, ele participou de um ato inter-religioso com representantes de diferentes credos, além de assumir o compromisso de realizar cursos e atividades educativas sobre intolerância religiosa.
Entre as obrigações estão a produção de resenhas manuscritas sobre temas ligados à cultura afro-brasileira, a participação em 60 horas de cursos sobre diversidade religiosa e o pagamento de R$ 4.863 a uma entidade de apoio a comunidades afrodescendentes.
O episódio que motivou o processo ocorreu em julho de 2023, durante uma homilia transmitida ao vivo. Na ocasião, o padre utilizou o estado de saúde de Preta Gil, que enfrentava um tratamento contra o câncer, para fazer ataques à fé da família. As declarações provocaram forte repercussão e geraram reação de comunidades religiosas e entidades culturais da Paraíba.
O caso segue em tramitação judicial e depende da homologação do acordo para que as medidas passem a valer oficialmente.




