O Brasil registrou 308.077 casos de violência sexual contra meninas de até 17 anos entre 2011 e 2024. Os dados fazem parte do Mapa Nacional da Violência de Gênero, divulgado nesta segunda-feira (18), data em que é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
O levantamento mostra que, ao longo dos últimos 14 anos, uma média de 64 meninas por dia foi vítima desse tipo de violência no país.
Somente em 2024, foram contabilizados 45.435 casos, o equivalente a aproximadamente 3,78 mil notificações por mês.
Os números foram levantados a partir do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, e integram um estudo realizado em parceria entre o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, o Instituto Natura e a Associação Gênero e Número.
Apesar da gravidade dos dados, especialistas alertam que os números ainda não refletem a realidade completa do país devido à subnotificação dos casos.
Segundo a diretora executiva da Associação Gênero e Número, Vitória Régia da Silva, a violência de gênero e a violência sexual continuam sendo subnotificadas no Brasil, além de haver dificuldades relacionadas à qualidade e integração das bases de dados públicas.
A série histórica aponta ainda um crescimento contínuo da violência sexual contra meninas no país. Desde 2011, o aumento acumulado chegou a 29,35%.
A única queda registrada ocorreu em 2020, período marcado pela pandemia da Covid-19, situação que especialistas atribuem à redução das notificações e não necessariamente à diminuição dos casos.
Em 2023, foi registrado o maior salto da série histórica, com crescimento de 37,22% nos registros.
O estudo também aponta maior vulnerabilidade entre meninas negras. Entre 2011 e 2024, elas representaram 56,5% das vítimas de violência sexual no país.
Somente em 2024, meninas pardas e pretas corresponderam a 52,3% do total de casos registrados.
Outro dado considerado alarmante pelo levantamento é o vínculo familiar dos agressores. Pais, mães, padrastos, madrastas e irmãos aparecem com frequência entre os autores da violência sexual.
A análise aponta que, entre 2011 e 2024, cerca de um terço dos casos envolvia pessoas da própria família da vítima.
Especialistas destacam que o combate à violência sexual contra crianças e adolescentes passa pela atuação conjunta das áreas de saúde, educação, assistência social e segurança pública.
O relatório também mostra que crianças e adolescentes representam o segundo grupo etário mais atingido pela violência sexual no Brasil, ficando atrás apenas da faixa entre 18 e 29 anos.
Dados do Disque 100 revelam ainda que, apenas entre janeiro e abril de 2026, foram registradas mais de 32,7 mil denúncias de violações sexuais contra crianças e adolescentes, um aumento de quase 50% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Casos de suspeita ou confirmação de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados gratuitamente por meio do Disque 100, serviço que funciona 24 horas por dia e permite denúncias anônimas.




