Os sinais já estavam presentes. Apesar do empate contra o Marrocos e da vitória no último minuto sobre o Japão, o desempenho da Seleção Brasileira indicava que a equipe encontraria muitas dificuldades quando enfrentasse um adversário de maior nível técnico.
Diante da Noruega, a primeira seleção europeia mais consistente no caminho do Brasil nesta Copa do Mundo, o roteiro se confirmou. A equipe comandada por Carlo Ancelotti fez um primeiro tempo abaixo das expectativas, enquanto os noruegueses controlaram a posse de bola, criaram as melhores oportunidades e chegaram a balançar as redes logo no início da partida, em lance posteriormente anulado.
O Brasil teve a chance de abrir o placar em uma cobrança de pênalti, mas Bruno Guimarães desperdiçou a oportunidade. A decisão levantou um questionamento inevitável: por que Vinicius Júnior, considerado o principal jogador da Seleção, não assumiu a responsabilidade da cobrança? A situação lembrou a Copa de 2022, quando Neymar também não participou das cobranças decisivas na eliminação para a Croácia.
A expectativa era de que a equipe brasileira voltasse mais agressiva no segundo tempo, como aconteceu nas partidas contra Marrocos e Japão. No entanto, a reação não veio. A Noruega seguiu controlando o jogo, manteve maior posse de bola e conseguiu neutralizar as ações ofensivas do Brasil.
Ancelotti atendeu ao pedido da torcida e colocou Endrick em campo. O atacante teve a melhor oportunidade brasileira com a bola rolando, mas, cara a cara com o goleiro, demorou na finalização e acabou desperdiçando a chance.
A superioridade norueguesa foi premiada aos 35 minutos da etapa final, quando Erling Haaland venceu Gabriel Magalhães pelo alto e abriu o placar de cabeça. Dez minutos depois, o atacante voltou a aparecer, desta vez com um belo chute de fora da área, ampliando para 2 a 0 e praticamente decretando a classificação da Noruega.
Nos acréscimos, Neymar descontou em cobrança de pênalti, mas o gol não foi suficiente para mudar o destino da partida.
Com a derrota, o Brasil chegou à sexta eliminação consecutiva para seleções europeias em Copas do Mundo. A sequência começou diante da França, em 2006, passou por Holanda (2010), Alemanha (2014), Bélgica (2018), Croácia (2022) e agora Noruega (2026), evidenciando uma dificuldade recorrente da Seleção em confrontos contra equipes do continente europeu.
A eliminação também deve aumentar os questionamentos sobre algumas decisões de Carlo Ancelotti. Entre elas, a convocação de Neymar, que chegou ao Mundial lesionado, desfalcou a equipe nos primeiros jogos e, quando entrou em campo, não conseguiu apresentar um desempenho capaz de justificar sua presença como principal referência técnica da Seleção.




