Dia Mundial do Coração: Paraíba registrou mais de 7,4 mil mortes por doenças cardiovasculares em 2025

Dados da Secretaria de Estado da Saúde apontam redução de 14,3% em relação a 2022, mas infarto permanece entre os principais desafios; prevenção e atendimento rápido são fundamentais

A Paraíba registrou 7.429 mortes relacionadas às doenças cardiovasculares em 2025, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB). Apesar da redução de 14,3% em comparação com 2022, quando foram contabilizados 8.667 óbitos, as enfermidades que atingem o coração e o sistema circulatório continuam representando um importante problema de saúde pública no estado.

Os números ganham destaque nesta terça-feira, 29 de setembro, Dia Mundial do Coração, data dedicada à conscientização sobre prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.

Em um recorte do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) que considera especificamente infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca e AVC isquêmico ou hemorrágico, foram registradas 3.301 mortes na Paraíba em 2025.

O infarto respondeu pela maior parcela desse levantamento, com 2.141 óbitos. Outros 686 foram associados à insuficiência cardíaca e 474 aos diferentes tipos de AVC. Esse recorte é mais restrito do que o total de 7.429 mortes, que engloba um conjunto mais amplo de doenças cardiovasculares.

A idade aparece como um fator importante nos registros. Entre as 2.141 pessoas que morreram em decorrência de infarto em 2025, 1.133 tinham 70 anos ou mais e outras 802 estavam na faixa dos 50 aos 69 anos.

Também foram contabilizadas 194 mortes entre pessoas de 30 a 49 anos e dez entre jovens de 19 a 29 anos. Além do envelhecimento, fatores como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, obesidade e histórico familiar estão associados ao aumento do risco cardiovascular.

Os dados hospitalares também ajudam a dimensionar o problema. Entre 2019 e 2024, a Paraíba contabilizou 12.273 internações por infarto agudo do miocárdio no Sistema Único de Saúde (SUS).

Os homens representaram 7.254 hospitalizações, correspondentes a 59,1% do total, enquanto as mulheres somaram 5.019 internações. A permanência hospitalar média dos pacientes foi de aproximadamente 7,5 dias.

Apesar de apresentarem um número menor de internações, as mulheres tiveram proporcionalmente uma mortalidade hospitalar maior entre os pacientes internados por infarto no período analisado. A taxa registrada foi de 13,77% entre as mulheres e de 10,38% entre os homens.

Na faixa etária de 80 anos ou mais, a mortalidade hospitalar chegou a 24,78% entre as mulheres e 21,93% entre os homens. Esses percentuais se referem especificamente aos pacientes hospitalizados no período e não significam que as mulheres tenham maior probabilidade geral de sofrer um infarto.

A demanda por atendimento também aparece nos números do Coração Paraibano, rede criada para organizar a assistência aos pacientes com suspeita de infarto e outras emergências cardíacas. Foram registrados 8.157 atendimentos em 2023, 13.459 em 2024 e 13.263 em 2025.

A rapidez no atendimento é um dos fatores determinantes para pacientes com suspeita de infarto. Entre os sinais de alerta estão dor, pressão ou aperto no peito, que podem se espalhar para o braço, costas ou rosto, além de falta de ar, suor frio, náusea, tontura e sensação de desmaio.

Em idosos e pessoas com diabetes, os sintomas podem se apresentar de maneira menos característica, inclusive com falta de ar ou mal-estar súbito sem a presença da dor intensa no peito. Diante de uma suspeita de infarto, a orientação é procurar imediatamente um serviço de emergência ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo número 192.

A prevenção passa pelo controle dos principais fatores de risco. Prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, acompanhamento da pressão arterial, colesterol e glicemia, manutenção do peso adequado e abandono do tabagismo estão entre as medidas recomendadas.

A atenção preventiva é considerada especialmente importante porque problemas como hipertensão e colesterol elevado podem evoluir durante anos sem apresentar sintomas evidentes.

Neste mês, a campanha do Dia Mundial do Coração também mobilizou instituições na Paraíba. Prédios da Justiça Federal em João Pessoa, Campina Grande, Sousa, Patos, Monteiro e Guarabira receberam iluminação vermelha para chamar atenção para a prevenção das doenças cardiovasculares.

Mesmo com a redução das mortes registrada nos últimos anos, os números mostram que as doenças cardiovasculares permanecem como um desafio para a saúde pública paraibana, envolvendo desde a identificação precoce dos fatores de risco até a necessidade de atendimento rápido e especializado nas situações de emergência.

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