O deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), 35 anos, foi eleito neste sábado (1º/2) presidente da Câmara dos Deputados para o biênio 2025-2027, tornando-se o mais jovem presidente da Casa na história.
Motta recebeu 444 votos dos 513 possíveis, superando seus adversários Marcel Van Hattem (Novo-RS), que obteve 31 votos, e Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), com 22 votos. Dois deputados votaram em branco.
A vitória do paraibano já era considerada certa antes do anúncio oficial, já que ele contou com o apoio da maior parte dos partidos da Casa e não teve adversários competitivos. Apesar da expressiva votação, Motta não bateu o recorde de Arthur Lira (PP-AL), que, em 2023, conquistou 464 votos dos 508 possíveis, registrando a maior votação desde a redemocratização.
Lira faz história ao eleger sucessor
A eleição de Hugo Motta também marca um feito inédito: Arthur Lira se tornou o primeiro presidente da Câmara, desde a redemocratização, a eleger diretamente seu sucessor. O alagoano, que comandou a Casa por quatro anos, foi o principal articulador da candidatura de Motta, negociando apoios e garantindo o respaldo de um amplo leque partidário.
Hugo chega à presidência com a missão de conciliar interesses divergentes, já que seu grupo de apoio inclui tanto o PT do presidente Lula quanto o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro. Um dia após ser escolhido candidato único, o novo presidente da Câmara se reuniu com os dois líderes políticos, sinalizando sua disposição para manter o diálogo aberto com todos os setores.
Durante a campanha, Motta evitou se comprometer com pautas polêmicas, como o projeto de anistia para os condenados dos atos golpistas de 8 de janeiro e a regulamentação das redes sociais. Seu slogan de campanha, “Do lado do Brasil”, reforçou uma postura conciliadora.
Perfil e trajetória política
Vindo de uma família tradicional da política, Hugo Motta é descrito como um parlamentar habilidoso, sereno e conciliador, com forte atuação nos bastidores. Embora tenha uma relação próxima com figuras influentes do Centrão, como Arthur Lira, Ciro Nogueira (PP-PI) e o ex-deputado Eduardo Cunha, ele evita ser classificado como governista ou oposicionista.
Em seu quarto mandato na Câmara, Motta conquistou espaço pela boa relação com diferentes correntes políticas, o que aumenta a expectativa de que sua eleição melhore a articulação entre o governo federal e o Congresso. O deputado tem proximidade com ministros do governo Lula, como Renan Filho (Transportes) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), o que pode facilitar o avanço de pautas prioritárias do Executivo, especialmente na área econômica.
Desafios na presidência da Câmara
O novo presidente da Câmara assume em um cenário desafiador para o governo. A esquerda segue minoritária no Congresso, e Lula enfrentou dificuldades nos primeiros anos de mandato, mesmo após conceder 11 ministérios a partidos do Centrão como PSD, União Brasil, MDB, Republicanos e PP.
Um dos primeiros impasses que Motta terá que resolver envolve o pagamento das emendas parlamentares, tema sensível para os deputados. Aliados apostam que ele buscará diálogo com o STF para encontrar uma solução que atenda aos parlamentares sem comprometer as negociações com o Judiciário.
Outro objetivo de Motta será revitalizar o funcionamento do plenário da Câmara, incentivando maior presença dos deputados para debates aprofundados e estabelecendo uma pauta de votações mais previsível. Ele também quer valorizar as comissões temáticas, reduzindo o número de requerimentos de urgência, que eram amplamente utilizados por Lira para levar projetos diretamente ao plenário, sem passar pelas comissões.
Com esse perfil negociador e o desafio de equilibrar interesses divergentes, Hugo Motta inicia sua gestão à frente da Câmara com a missão de manter o protagonismo da Casa e garantir a governabilidade no Congresso Nacional.




