Pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre identificaram uma molécula que pode revolucionar o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA). A descoberta aponta para a possibilidade de detectar o transtorno de forma precoce por meio de um simples exame de sangue.
Atualmente, o diagnóstico do autismo costuma ocorrer a partir dos dois anos de idade, quando sinais como atraso na fala e dificuldades de interação social tornam-se mais evidentes.
RNA circular surge como marcador promissor
O estudo brasileiro se concentra em um tipo específico de RNA circular, uma molécula que atua como mensageira das informações do DNA para as células do corpo. Diferente do RNA tradicional, que possui estrutura linear e se degrada rapidamente, o RNA circular é mais estável e permanece ativo por mais tempo no organismo.
Durante testes com roedores, os pesquisadores observaram que filhotes com características associadas ao autismo apresentavam níveis significativamente elevados de uma molécula chamada Cirs-7. Por ser detectável na corrente sanguínea, ela pode se tornar um marcador biológico eficiente para o diagnóstico.
Testes em humanos devem começar em breve
De acordo com a pesquisadora Carmem Gottfried, as alterações identificadas nos animais deverão ser analisadas em humanos já no próximo semestre. A proposta é comparar indivíduos com e sem autismo para verificar se a presença elevada da molécula é exclusiva do transtorno.
Caso a especificidade seja confirmada, o próximo passo será o desenvolvimento de um kit diagnóstico acessível e de rápida aplicação.
Diagnóstico precoce pode transformar tratamento
Especialistas destacam que a detecção antecipada do autismo pode trazer impactos significativos no desenvolvimento das crianças. Com o diagnóstico mais cedo, é possível iniciar intervenções terapêuticas ainda nos primeiros anos de vida, período em que o cérebro apresenta maior plasticidade.
Isso aumenta as chances de avanços nas habilidades sociais, de comunicação e na qualidade de vida dos pacientes.
Famílias enfrentam desafios com diagnóstico tardio
Atualmente, muitas famílias enfrentam um processo longo até a confirmação do diagnóstico. O caminho costuma envolver a avaliação de diferentes especialistas, como pediatras, neurologistas e fonoaudiólogos.
Para pais e responsáveis, a possibilidade de um exame simples e rápido representa um avanço importante, reduzindo a espera e permitindo acesso mais ágil ao tratamento adequado.




