O aumento dos casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas no Brasil motivou pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) a desenvolverem uma tecnologia inovadora capaz de identificar a presença da substância mesmo em garrafas lacradas. O sistema entra agora na fase de ensaios científicos com amostras reais, prevista para começar em 13 de outubro.
Conduzido por especialistas do Departamento de Química e do Programa de Pós-Graduação em Química (PPGQ), o projeto utiliza radiação infravermelha para detectar compostos adulterantes. Ao incidir sobre o líquido, a luz provoca alterações nas vibrações moleculares, que são analisadas por um software com 97% de precisão, indicando a presença de metanol, água ou etanol veicular.
Além do equipamento óptico, os pesquisadores também criaram um canudo biodegradável que muda de cor ao detectar metanol, em desenvolvimento no Parque Tecnológico de Campina Grande. O dispositivo, de baixo custo e fácil uso, pode ser aplicado por bares, restaurantes e distribuidores para verificar a pureza das bebidas sem necessidade de reagentes ou conhecimento técnico.
O projeto tem parceria com a UFPB e apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (FAPESQ), que investiu cerca de R$ 1 milhão na criação do Laboratório de Tecnologia da Cachaça e Aguardente. O estudo foi baseado em 462 amostras de cachaça produzidas no estado.
O Ministério da Saúde já demonstrou interesse em transformar a tecnologia em política pública nacional. O ministro Alexandre Padilha se reuniu com a reitora Célia Regina Diniz, o presidente da Câmara Hugo Motta e os pesquisadores para discutir a proposta.
A pró-reitora Nadja Oliveira destacou que o desafio agora é ampliar a produção:
“Precisamos de recursos para escalar o projeto e garantir que a tecnologia chegue a todo o país, promovendo o consumo seguro de bebidas alcoólicas.”




