O empresário Antônio Neto Ais, condenado pela Justiça por envolvimento em um esquema que teria desviado R$ 1,11 bilhão por meio da Braiscompany, voltou a se manifestar publicamente após meses sem declarações.
Em prisão domiciliar na Argentina, Ais participou de uma transmissão ao vivo nas redes sociais e negou as acusações apresentadas pela investigação da Polícia Federal.
A esposa dele, Fabrícia Farias, também foi condenada no processo. O casal ainda aguarda definição sobre a extradição para o Brasil.
Segundo a Justiça, os dois receberam penas que somam até 88 anos de prisão por crimes contra o sistema financeiro nacional. As investigações apontam que aproximadamente 20 mil clientes teriam sido afetados pelo esquema.
Durante a live, Antônio Ais contestou uma das principais conclusões da investigação, afirmando que a empresa não prometia rendimentos fixos elevados aos investidores.
De acordo com ele, os contratos assinados com os clientes previam ganhos variáveis, e não retornos mensais garantidos. O empresário afirmou ainda que os documentos são públicos e que tem colaborado com as autoridades judiciais.
Essa foi a primeira manifestação pública do empresário desde a condenação. Ao comentar o período em silêncio, Ais declarou que evitou se pronunciar para proteger familiares, que, segundo ele, teriam sido alvo de ameaças.
Na transmissão, o empresário também afirmou que não possui restrições judiciais para utilizar redes sociais e disse estranhar a repercussão gerada por suas publicações.
Além disso, anunciou que pretende realizar novas transmissões para comentar outros pontos do processo judicial envolvendo a empresa.
A prisão do chamado “casal Braiscompany” aconteceu em 29 de fevereiro de 2024, após mais de um ano foragidos desde a deflagração da Operação Halving, iniciada pela Polícia Federal em fevereiro de 2023.
Os dois foram localizados em um condomínio de luxo na Argentina, onde seguem cumprindo prisão domiciliar.
A extradição do casal já foi autorizada pela Justiça argentina, após decisão do Tribunal Nacional Criminal e Correcional Federal em novembro do ano passado.
O período em que permaneceram detidos na Argentina deverá ser considerado no cumprimento das penas no Brasil.
A Braiscompany foi alvo de operação da Polícia Federal em fevereiro de 2023, com ações em cidades como Campina Grande, João Pessoa e São Paulo.
Segundo a investigação, a empresa captava recursos de investidores por meio de ativos digitais e prometia rentabilidade sobre criptomoedas administradas pela companhia.
A Polícia Federal afirma que o esquema movimentou mais de R$ 1 bilhão.
Na sentença da 4ª Vara Federal de Campina Grande, além do casal, outros nove réus também foram condenados.
A decisão judicial ainda determinou reparação de R$ 277 milhões por danos patrimoniais e R$ 100 milhões por dano coletivo.




