Investigação revela “home office do crime” comandado por Fatoka entre Rio e Cabedelo

Reportagem do Fantástico expôs esquema de monitoramento clandestino e influência do crime organizado na política local

Apontado pelas investigações como um dos principais articuladores da ligação entre o crime organizado e estruturas do poder público na Paraíba, Flávio de Lima Monteiro voltou ao centro das atenções após reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (10).

Foragido da Justiça e refugiado no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, Fatoka é apontado como líder da facção Tropa do Amigão, considerada braço do Comando Vermelho em Cabedelo.

Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado, o grupo criminoso mantinha uma sofisticada rede clandestina de monitoramento instalada em postes e residências de áreas estratégicas da cidade.

O sistema permitia o acompanhamento em tempo real da movimentação em regiões dominadas pela facção, funcionando como uma espécie de central remota de vigilância operada à distância diretamente do Rio de Janeiro.

Áudios obtidos durante a investigação reforçam a dimensão da estrutura criminosa. Em uma das gravações, um integrante afirma que existiam “30 câmeras geral”. Em outro trecho divulgado pela reportagem, um homem aparece exibindo imagens do monitoramento e diz: “Oi, família. Minha visão de cria aqui. Só paz e tranquilidade”.

Para os investigadores, o esquema funcionava como um verdadeiro “home office do crime organizado”, permitindo controle territorial e operacional mesmo com o líder da facção fora da Paraíba.

As investigações também apontam infiltração de pessoas ligadas ao Comando Vermelho em setores estratégicos da Prefeitura de Cabedelo. O avanço das apurações resultou no afastamento do prefeito eleito Edvaldo Neto apenas dois dias após o resultado das eleições municipais.

A reportagem mostrou ainda o clima de medo vivido por moradores da cidade, que evitam comentar o assunto publicamente ou conceder entrevistas gravadas.

O delegado regional de Polícia Judiciária da Polícia Federal na Paraíba, João Marcos Gomes Cruz Silva, afirmou que Cabedelo enfrenta um “colapso institucional”.

Já o procurador-geral de Justiça do Ministério Público da Paraíba, Leonardo Quintans, declarou que a atuação do poder paralelo faz com que “a sociedade fique refém” e perca sua liberdade.

Fatoka, de 43 anos, iniciou sua trajetória criminosa na facção Nova Okaida antes de fundar a Tropa do Amigão. Contra ele existem 13 mandados de prisão por crimes como tráfico de drogas, homicídios e organização criminosa.

O criminoso chegou a cumprir pena no Presídio de Segurança Máxima da Paraíba, mas fugiu em setembro de 2018 durante uma fuga em massa envolvendo 92 detentos, que utilizaram explosivos para escapar da unidade prisional.

Recapturado posteriormente, Fatoka conseguiu em 2022 uma decisão judicial que autorizou sua liberdade com uso de tornozeleira eletrônica. No mesmo dia em que o equipamento foi instalado, ele rompeu o dispositivo e fugiu para o Rio de Janeiro, de onde, segundo as investigações, continuaria comandando o esquema criminoso em Cabedelo.

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