O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a elevar o tom das críticas ao governo dos Estados Unidos ao direcionar ataques ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Durante agenda oficial nesta terça-feira (2), Lula afirmou que o chefe da diplomacia americana mantém uma postura hostil em relação ao Brasil e à América Latina.
“Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil”, declarou o presidente ao comentar a atuação de Rubio dentro da administração republicana.
A declaração ocorre em meio ao agravamento das divergências entre Brasília e Washington, especialmente após a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Rubio é considerado um dos principais aliados da família Bolsonaro dentro da atual gestão norte-americana. Recentemente, ele se reuniu em Washington com o senador Flávio Bolsonaro e com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, fortalecendo a aproximação entre o grupo político brasileiro e integrantes do governo Trump.
Além da classificação das facções criminosas, outro fator que ampliou o desconforto do Palácio do Planalto ocorreu durante audiência no Senado dos Estados Unidos. Na ocasião, Marco Rubio deixou o Brasil fora da lista de países considerados aliados estratégicos dos EUA no continente, mencionando Cuba, Venezuela, Nicarágua e Colômbia entre os governos que considera problemáticos para os interesses americanos.
Influência crescente na política externa dos EUA
Filho de imigrantes cubanos e conhecido por sua postura crítica aos governos de esquerda da América Latina, Rubio construiu sua carreira política defendendo posições rígidas contra regimes como os de Cuba, Venezuela e Nicarágua.
Desde que assumiu o comando da diplomacia americana, o secretário tornou-se um dos principais formuladores da política externa da administração Trump para o hemisfério ocidental. Sua visão associa o avanço do crime organizado, os fluxos migratórios e a influência de governos considerados adversários dos Estados Unidos a um enfraquecimento da presença americana na região.
Essa estratégia ficou evidente logo no início do mandato, quando sua primeira viagem internacional foi direcionada a países da América Central, incluindo Panamá, El Salvador, Costa Rica, Guatemala e República Dominicana, em vez de destinos tradicionais da diplomacia norte-americana na Europa ou Oriente Médio.
Venezuela e Cuba no centro da estratégia
Entre as principais frentes de atuação de Rubio está a política para a Venezuela. O secretário foi um dos principais articuladores da ofensiva americana que culminou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos.
Desde então, Washington ampliou sua influência sobre o cenário político venezuelano, acompanhando de perto decisões do governo interino liderado por Delcy Rodríguez.
Cuba também permanece no foco da política externa conduzida por Rubio. O governo americano intensificou sanções econômicas e ações diplomáticas contra o regime cubano, ampliando a pressão sobre a ilha em meio à crise econômica enfrentada pelo país.
Relação complexa com Trump
Apesar de atualmente ocupar posição de destaque no governo republicano, Marco Rubio já foi um dos principais adversários políticos de Donald Trump. Durante as prévias presidenciais republicanas, em 2016, os dois trocaram críticas públicas e protagonizaram uma das disputas mais intensas da campanha.
Com o passar dos anos, no entanto, Rubio se aproximou do presidente e passou a ocupar espaço estratégico dentro da administração, sendo apontado por analistas políticos como um dos possíveis herdeiros do movimento conservador liderado por Trump.
Hoje, além de secretário de Estado, Rubio exerce influência significativa nas decisões relacionadas à política externa dos Estados Unidos, especialmente nas questões envolvendo a América Latina.
As recentes declarações de Lula evidenciam o aumento das tensões diplomáticas entre os dois governos e indicam que a relação entre Brasília e Washington pode enfrentar novos desafios nos próximos meses, sobretudo em temas ligados à segurança, soberania e política internacional.




