Defesas contestam prisões de delegado e policial civil alvos da Operação Perfídia na Paraíba

Advogados alegam ausência de provas, questionam legalidade da investigação e defendem inocência dos investigados

As defesas do delegado Braz Morroni e do policial civil Everton Rychelyson Aires se manifestaram nesta sexta-feira (5) sobre as prisões realizadas durante a Operação Perfídia, investigação que apura um suposto esquema de desvio e comercialização de drogas apreendidas, vazamento de informações sigilosas e associação com integrantes do crime organizado.

A operação foi deflagrada pela Polícia Civil da Paraíba na última terça-feira (2) e resultou, entre outras medidas, nas prisões do delegado Braz Morroni e dos agentes Everton Rychelyson Aires e Eduardo Jorge Ferreira.

Segundo os investigadores, os suspeitos teriam integrado uma organização criminosa responsável por desviar entorpecentes apreendidos para posterior comercialização, além de fornecer informações sigilosas a traficantes. As acusações são negadas pelos investigados.

Defesa de delegado questiona investigação

Em nota, os advogados de Braz Morroni afirmaram que o delegado se apresentou espontaneamente às autoridades após tomar conhecimento da ordem judicial.

Segundo a defesa, não houve qualquer tentativa de fuga ou ocultação.

Os representantes legais também sustentam que a investigação apresenta irregularidades e alegam ausência de elementos concretos que vinculem o delegado aos crimes investigados.

Outro ponto levantado pelos advogados diz respeito à prisão temporária. De acordo com a defesa, os fatos apurados remontam aos anos de 2023 e 2024, o que, segundo o entendimento apresentado, afastaria os requisitos legais para a manutenção da medida cautelar.

Além disso, foi protocolado pedido de conversão da prisão em regime domiciliar. Os defensores alegam que Braz Morroni está em tratamento remissivo de câncer, condição que, segundo a defesa, justificaria a substituição da custódia por medida menos gravosa.

Defesa de policial reafirma inocência

O escritório responsável pela defesa do policial civil Everton Rychelyson Aires informou que assumiu oficialmente sua representação jurídica na última quarta-feira (3).

Em nota, os advogados destacaram que manifestações realizadas anteriormente por outros profissionais não representam a estratégia atual da defesa.

Os representantes do policial afirmaram que ele é inocente e que o trabalho jurídico está sendo conduzido com foco na garantia do contraditório, da ampla defesa e da apuração completa dos fatos.

Segundo a defesa, todas as manifestações sobre o caso serão realizadas nos autos do processo, respeitando os procedimentos legais e as investigações em andamento.

Operação investiga suposto esquema criminoso

A Operação Perfídia investiga uma suposta estrutura criminosa que teria atuado dentro da Polícia Civil da Paraíba. Conforme a apuração, integrantes do grupo seriam responsáveis pelo desvio de drogas apreendidas em operações policiais, além do compartilhamento de informações sigilosas com traficantes.

As investigações seguem em andamento e os órgãos responsáveis ainda analisam o material apreendido durante o cumprimento dos mandados judiciais.

Até o momento, não houve decisão definitiva sobre a responsabilidade dos investigados, que seguem amparados pelo princípio constitucional da presunção de inocência.

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