O governo federal avalia que terá pouca margem para negociar a suspensão da nova tarifa de 12,5% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos exportados pelo Brasil. A medida faz parte de uma ação mais ampla adotada pelo governo norte-americano após a conclusão de uma investigação sobre supostos casos de trabalho forçado envolvendo dezenas de países e a União Europeia.
A análise interna do Palácio do Planalto é de que a negociação será mais complexa porque a taxação não atinge apenas o Brasil. A medida também alcança diversos parceiros comerciais dos Estados Unidos, incluindo países considerados aliados históricos de Washington.
Tarifa de 25% ainda é alvo de negociação
Apesar do cenário mais difícil em relação à nova cobrança de 12,5%, integrantes do governo acreditam que existe maior possibilidade de diálogo sobre outra tarifa já anunciada pelos Estados Unidos.
Trata-se da taxa de 25% que poderá ser aplicada após a conclusão da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que analisou supostas práticas comerciais consideradas injustas por parte do Brasil.
O relatório final dessa investigação deverá ser divulgado até o dia 15 de julho. A decisão definitiva sobre a aplicação das medidas caberá ao presidente norte-americano Donald Trump.
Brasil contesta justificativa
O governo brasileiro considera inadequada a inclusão do país entre os alvos da investigação relacionada ao trabalho forçado. A avaliação é de que o Brasil possui mecanismos reconhecidos internacionalmente de combate ao trabalho análogo à escravidão e mantém políticas de fiscalização consideradas referência em âmbito global.
Mesmo assim, interlocutores do governo admitem que a questão tem forte componente político e entendem que será difícil obter tratamento diferenciado em relação aos demais países afetados.
Negociações devem continuar
Na tentativa de evitar prejuízos às exportações brasileiras, o governo tem sinalizado disposição para discutir ajustes tarifários e ampliar o acesso de produtos norte-americanos ao mercado brasileiro.
Por outro lado, autoridades brasileiras descartam qualquer alteração no funcionamento do Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central que foi citado durante as investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos.
Outras flexibilizações comerciais poderão ser debatidas, mas dependerão diretamente das negociações entre os dois governos e de eventuais sinalizações de redução das tarifas anunciadas por Washington.
Nova rodada de conversas é aguardada
Uma nova reunião entre representantes do Brasil e dos Estados Unidos é esperada para a próxima semana. O encontro deverá ocorrer no âmbito do grupo de trabalho criado após a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump realizada na Casa Branca, em maio.
A expectativa do governo brasileiro é utilizar esse canal diplomático para tentar reduzir os impactos das medidas tarifárias e preservar a competitividade dos produtos nacionais no mercado norte-americano.




