O planeta registrou em maio de 2026 o segundo mês de maio mais quente desde o início dos registros meteorológicos globais. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (10) pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, programa da União Europeia responsável pelo monitoramento climático mundial.
Segundo o levantamento, a temperatura média global em maio atingiu 15,81°C, ficando 0,55°C acima da média observada para o período entre 1991 e 2020. O resultado ficou atrás apenas de maio de 2024, que permanece como o mais quente da série histórica, com média de 15,91°C.
Com o novo dado, maio de 2026 ultrapassou o recorde anteriormente ocupado por maio de 2025, que havia registrado temperatura média de 15,79°C.
O relatório também destaca que as temperaturas dos oceanos permaneceram em níveis excepcionalmente elevados, especialmente na região tropical do Oceano Pacífico, área diretamente associada ao desenvolvimento do fenômeno climático El Niño.
Especialistas acompanham com atenção o aquecimento da chamada região Niño 3.4, localizada próxima à linha do Equador. De acordo com análises da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a probabilidade de formação do El Niño já alcança 82% a partir de julho deste ano.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou recentemente que o fenômeno pode intensificar ainda mais os impactos do aquecimento global.
Segundo ele, os efeitos poderão ser mais severos e atingir diferentes regiões do planeta com maior intensidade, ampliando riscos relacionados a secas, enchentes e eventos climáticos extremos.
A secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, também avaliou que o próximo episódio do El Niño tem potencial para ser forte. Ela lembrou que o fenômeno anterior esteve entre os cinco mais intensos já registrados e contribuiu para os recordes globais de temperatura observados em 2024.
Na Europa, os efeitos do aquecimento também foram evidentes. O continente registrou a terceira primavera mais quente da história, com temperaturas superiores a 38°C em diversas regiões. Países como Reino Unido, Irlanda, França e Portugal enfrentaram ondas de calor precoces e intensas durante o fim de maio.
O relatório aponta ainda contrastes climáticos provocados pelo aquecimento global. Enquanto países como Itália e Espanha enfrentaram condições mais secas do que a média histórica, áreas do nordeste europeu, Escandinávia, Turquia e região do Mar Negro registraram índices de chuva acima do normal.
Especialistas destacam que, embora o possível retorno do El Niño contribua para o aumento das temperaturas globais, a principal causa dos recordes climáticos continua sendo a crise climática associada à emissão de gases de efeito estufa, especialmente pela queima de combustíveis fósseis.
Diante do cenário, organismos internacionais reforçam a necessidade de acelerar a transição para fontes de energia renovável, fortalecer sistemas de alerta precoce, ampliar medidas de adaptação climática e investir na proteção das populações mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.




