Paraíba mantém nível de alerta para Síndrome Respiratória Grave, aponta boletim da Fiocruz

Estado apresenta incidência elevada de SRAG, enquanto especialistas alertam para aumento das internações por vírus respiratório e reforçam a importância da vacinação.

A Paraíba permanece entre os estados brasileiros com incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em níveis de alerta, risco ou alto risco, segundo a mais recente edição do Boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (11) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A análise considera dados da Semana Epidemiológica 22, compreendida entre os dias 31 de maio e 6 de junho.

Embora o estado apresente sinais de interrupção do crescimento dos casos na tendência de longo prazo, o número de ocorrências continua elevado, mantendo a necessidade de atenção das autoridades de saúde e da população.

O levantamento aponta que o principal responsável pelo aumento das internações em várias regiões do país continua sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), especialmente entre crianças pequenas. Em algumas localidades, também foi observado crescimento dos casos relacionados à influenza A e à influenza B.

De acordo com o InfoGripe, a Paraíba integra o grupo de 12 unidades da Federação que ainda registram incidência elevada de SRAG, mesmo sem apresentar crescimento sustentado nas últimas semanas. Entre os estados nessa condição também estão Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Amazonas.

Em João Pessoa, o cenário segue semelhante. A capital paraibana aparece entre as cidades brasileiras que registram incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinais de aumento na tendência de longo prazo. A situação é monitorada de perto pelas autoridades sanitárias.

Segundo a pesquisadora Tatiana Portella, integrante do Programa InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, medidas simples continuam sendo fundamentais para reduzir a circulação dos vírus respiratórios.

Entre as recomendações estão a higienização frequente das mãos, o uso de máscaras em unidades de saúde e ambientes fechados com pouca ventilação, além do isolamento de pessoas com sintomas gripais sempre que possível. Quando o isolamento não puder ser realizado, a orientação é utilizar máscaras de maior proteção, como os modelos N95 ou PFF2.

A especialista também reforça a importância da vacinação para os grupos prioritários. Segundo ela, a imunização contra influenza e VSR reduz significativamente o risco de evolução para formas graves da doença e diminui a possibilidade de internações e óbitos.

Os dados nacionais mostram que, entre os casos positivos registrados em 2026, 33,1% foram associados ao Vírus Sincicial Respiratório, 32,5% ao rinovírus, 24,4% à influenza A, 3,1% à influenza B e 5,7% à Covid-19.

Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, o VSR respondeu por quase metade dos casos positivos de SRAG, representando 49,6% das ocorrências confirmadas laboratorialmente.

Em relação aos óbitos, a influenza A permanece como o vírus mais associado às mortes por SRAG em 2026, respondendo por 41,9% dos casos positivos. Também aparecem entre as principais causas o Sars-CoV-2 (21%), o rinovírus (20,4%) e o Vírus Sincicial Respiratório (9,1%).

Desde o início do ano epidemiológico de 2026, o Brasil registrou 82.544 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave e 3.591 óbitos relacionados à doença. Desse total, 1.641 mortes tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório.

A Fiocruz alerta que o aumento dos casos entre crianças de até quatro anos continua sendo impulsionado principalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório, enquanto o rinovírus tem predominado entre crianças maiores e adolescentes. Já entre jovens, adultos e idosos, os casos graves têm sido associados principalmente à influenza A.

Diante do cenário, especialistas reforçam a necessidade de manter a vacinação atualizada, buscar atendimento médico diante de sintomas persistentes e adotar medidas preventivas para reduzir a transmissão dos vírus respiratórios, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.

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