Chuvas elevam para 21 o número de açudes sangrando na Paraíba, mas seca ainda preocupa no interior

Enquanto reservatórios transbordam no Litoral, Brejo e Agreste, 24 açudes operam com menos de 10% da capacidade e cinco já estão completamente secos.

As chuvas registradas nas últimas semanas aumentaram o volume de água em diversos reservatórios da Paraíba e fizeram subir para 21 o número de açudes que estão sangrando no estado. A maior concentração desses reservatórios está nas regiões do Litoral, Zona da Mata, Brejo e Agreste, onde o período chuvoso tem contribuído para a recuperação dos mananciais.

Entre os açudes que atingiram a capacidade máxima estão Manguape, Camalaú, São Sebastião, Frutuoso II, Olho d’Água, Sindô Ribeiro, Jangada, Poções, Gramame/Mamuaba, Saulo Maia, Canafístula II, São Salvador, Tauá, Lagoa do Matias, Cafundó, Araçagi, Brejinho, Chã dos Pereiras, Pitombeira, Pirpirituba e São José II.

Apesar do cenário positivo em parte do estado, a situação continua preocupante em diversas regiões do Cariri, Curimataú e Sertão, onde a escassez de chuvas mantém vários reservatórios em níveis críticos.

Atualmente, 24 açudes operam com menos de 10% da capacidade total de armazenamento, sendo que cinco já estão completamente secos. Nessa condição estão os reservatórios de Caraibeiras, em Picuí; Curimataú, em Barra de Santa Rosa; Prata II, no município de Prata; Sabonete, em Teixeira; e São Mamede, no município de mesmo nome.

Outros açudes também apresentam volumes extremamente baixos, como Bastiana (Teixeira), Bichinho (Barra de São Miguel), São José IV (São José do Sabugi), Coronel Jueca (Cacimbas), Jeremias (Desterro), Riacho de Santo Antônio, Várzea Grande (Picuí), Felismina Queiroz (São Vicente do Seridó), Boqueirão do Cais (Cuité), Ouro Velho, Mucutu (Juazeirinho), Soledade, Cacimbinha (São Vicente do Seridó), Poleiros (Barra de Santa Rosa), Taperoá II, Livramento, Lagoa do Meio (Taperoá), Riacho das Moças (Teixeira) e Serra Branca II.

Especialistas explicam que a distribuição irregular das chuvas é uma característica do clima da Paraíba e de boa parte do Nordeste brasileiro. Enquanto o Alto Sertão, Sertão e Cariri/Curimataú concentram seu período chuvoso entre fevereiro e maio, as regiões do Agreste, Brejo e Litoral costumam registrar maiores volumes de precipitação entre abril e julho.

Essa diferença climática faz com que os reservatórios do interior enfrentem períodos prolongados de estiagem, enquanto os localizados nas regiões mais úmidas apresentam recuperação mais rápida durante a estação chuvosa. O comportamento das chuvas também pode ser influenciado por fenômenos climáticos, como o El Niño–Oscilação Sul (ENOS), que interfere diretamente na distribuição das precipitações sobre o Nordeste brasileiro.

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