Justiça concede prisão domiciliar a investigada da Operação Perfidus na Paraíba

Vanessa Dantas Fernandes cumprirá prisão em casa com tornozeleira eletrônica e medidas cautelares; decisão considerou situação do filho de quatro anos.

A Justiça da Paraíba determinou a substituição da prisão temporária de Vanessa Dantas Fernandes por prisão domiciliar, com monitoramento por tornozeleira eletrônica, no âmbito das investigações da Operação Perfidus. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (23) pela juíza Conceição de Lourdes Marsicano de Brito Cordeiro, da 2ª Vara Regional das Garantias.

Vanessa é investigada por suposta participação nos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ela foi presa no dia 2 de junho durante a deflagração da Operação Perfidus, após ter a prisão temporária decretada pela Justiça.

A investigação é conduzida pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), por meio do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Segundo os investigadores, a organização criminosa é suspeita de atuar em crimes relacionados ao tráfico de drogas, corrupção, lavagem de capitais e vazamento de informações sigilosas.

De acordo com o Ministério Público, o grupo utilizaria estruturas da segurança pública para beneficiar organizações criminosas, facilitar operações ilegais, negociar entorpecentes e repassar informações protegidas. Durante a operação, a Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens pertencentes aos investigados.

Entre os principais alvos da investigação estão o delegado da Polícia Civil Braz Morroni, o investigador Everton Richellyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”, apontado como um dos articuladores do esquema, e o investigador Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”.

Ao fundamentar a decisão, a magistrada levou em consideração a condição de Vanessa como mãe de uma criança de quatro anos. Relatórios do Conselho Tutelar, documentos médicos e laudos psicológicos apontaram que o filho apresentava sinais de sofrimento emocional desde a prisão simultânea dos pais.

A decisão também considerou o posicionamento do próprio Ministério Público, que passou a defender a substituição da prisão temporária pela domiciliar diante das circunstâncias apresentadas.

Além do monitoramento eletrônico, a investigada deverá cumprir uma série de medidas cautelares, entre elas o comparecimento a todos os atos processuais, a proibição de deixar a comarca sem autorização judicial e a proibição de manter contato com os demais investigados da Operação Perfidus.

A Justiça ressaltou que o descumprimento de qualquer uma das determinações poderá resultar na revogação da prisão domiciliar e no restabelecimento da prisão em regime fechado.

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