O secretário de Segurança Pública e da Defesa Social da Paraíba, Jean Nunes, afirmou nesta quinta-feira (17) que o avanço de facções criminosas no estado deve ser analisado também sob a perspectiva de possíveis vínculos entre integrantes do crime organizado e agentes políticos. A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Arapuan FM.
Ao comentar os recentes casos de decapitações registrados na Grande João Pessoa, Jean Nunes disse que as investigações trabalham com a hipótese de disputas territoriais e retaliações entre grupos criminosos. A Polícia Civil também informou nesta quinta-feira que os três casos investigados estão relacionados, até o momento, a conflitos entre facções rivais.
Durante a entrevista, o secretário relacionou a dificuldade no enfrentamento às organizações criminosas à eventual aproximação desses grupos com agentes políticos. Segundo ele, situações em que facções encontram apoio ou espaço fora do ambiente estritamente criminoso tornam mais complexo o trabalho das forças de segurança.
“Agora existe uma dificuldade maior quando o crime organizado ou quando facções são recepcionadas por atores políticos, dão guarida, dão espaço, fazem proliferar”, declarou Jean Nunes. A afirmação representa a avaliação do secretário e não significa, por si só, responsabilização criminal de agentes políticos específicos.
Jean também afirmou que municípios onde as forças policiais enfrentam maiores dificuldades estariam entre aqueles que concentram investigações e decisões da Justiça Eleitoral envolvendo suspeitas de relações entre integrantes da política e organizações criminosas. Ele mencionou ainda decisões eleitorais relacionadas a candidaturas que, segundo sua declaração, teriam vínculos com facções.
Sobre a escalada de violência, o secretário sustentou que a atuação mais intensa das forças de segurança provoca reações de organizações que disputam o controle de determinadas áreas. Segundo a Polícia Civil, os episódios recentes de decapitação são investigados como possíveis demonstrações de domínio territorial e retaliações entre grupos rivais.
Jean Nunes afirmou ainda que o Governo do Estado não mantém diálogo ou qualquer tipo de acolhimento a integrantes de organizações criminosas e defendeu que a responsabilidade pelo avanço das facções não seja atribuída exclusivamente às forças policiais. Segundo ele, as ações de inteligência, investigação e repressão ao crime organizado continuarão sendo intensificadas.
As declarações ocorrem em meio às investigações sobre uma sequência de crimes violentos na Grande João Pessoa. A Polícia Civil informou que já realizou prisões relacionadas aos casos e segue apurando a participação de integrantes de grupos criminosos nos homicídios.




