Polícia Federal realiza operação em Campina Grande e cidades do Ceará contra suspeita de desvio de recursos da saúde

Operação Coaptação investiga esquema envolvendo contratos públicos, empresas de fachada e lavagem de dinheiro; Justiça determina bloqueio de 38 imóveis e 82 veículos

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (8), a Operação Coaptação, destinada a investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos federais aplicados na área da saúde no Ceará. A ação é realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e inclui o cumprimento de mandados em Campina Grande, na Paraíba, além de Fortaleza, Caucaia, Eusébio e Tauá, no Ceará.

As investigações apuram possíveis crimes de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e fraude documental. Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria utilizado empresas de fachada e documentos com informações falsas para movimentar valores provenientes de contratos firmados com o poder público.

A apuração teve início após a identificação de movimentações financeiras consideradas suspeitas, especialmente saques de valores em espécie. A partir dessas informações, os investigadores passaram a analisar operações financeiras e relações contratuais envolvendo entidades que atuam no setor da saúde.

De acordo com a Polícia Federal, os elementos reunidos apontam para a possível existência de um esquema estruturado para desviar recursos públicos por meio de empresas e documentos que seriam utilizados para dar aparência de legalidade às transações.

Um dos principais pontos da investigação envolve a atuação da empresa considerada central no suposto esquema. Conforme os dados levantados, a entidade firmou contratos com diferentes administrações públicas e recebeu, entre 2007 e 2025, mais de R$ 1 bilhão em recursos de origem federal.

O montante representa o total de repasses identificados no período e não significa, necessariamente, que todo o valor tenha sido desviado. A investigação busca identificar quais operações apresentam indícios de irregularidades e a eventual participação de cada um dos envolvidos.

Como parte das medidas autorizadas pela Justiça, cinco gestores foram afastados cautelarmente das atividades gerenciais, financeiras e de representação da principal entidade investigada e de organizações relacionadas contratadas pelo poder público. A decisão também estabelece restrições à atuação desses gestores na administração das pessoas jurídicas investigadas.

A Justiça determinou ainda o sequestro de 38 imóveis e 82 veículos supostamente vinculados aos investigados. As medidas patrimoniais têm como objetivo preservar bens que poderão ser utilizados para eventual ressarcimento aos cofres públicos, caso sejam comprovadas irregularidades e prejuízos.

Também foi autorizada a quebra dos sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas relacionadas aos fatos investigados. A medida permitirá o aprofundamento da análise sobre a origem, a movimentação e a destinação dos recursos financeiros.

A participação de Campina Grande entre os locais de cumprimento de mandados amplia o alcance da operação para a Paraíba. Até o momento, as informações divulgadas não detalham a identidade dos alvos no município nem a natureza específica das diligências realizadas na cidade.

A Operação Coaptação segue em andamento, e os elementos recolhidos deverão subsidiar as próximas etapas da investigação. As suspeitas ainda estão sob apuração, e a responsabilidade criminal dos envolvidos dependerá da análise das provas e dos procedimentos legais cabíveis.

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