TV falida há 56 anos pede ao governo para voltar ao ar; entenda

A televisão brasileira pode ganhar um novo “velho” canal. A TV Excelsior, que ficou no ar entre 1960 e 1970, pediu ao Governo Federal a outurga para voltar a funcionar após 56 anos. A emissora marcou história por ter lançado a primeira telenovela diária (“2-5499 Ocupado”) e os primeiros festivais de música, que revelaram Elis Regina (1945-1982) e outros artistas.

O Ministério das Comunicações informou ao site “Heloísa Tolipan” que há quatro processos administrativos em análise vinculados à outorga da Excelsior. Em paralelo, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) não inclui a Excelsior entre os requerentes de concessão, seja para televisão aberta seja por assinatura.

A notícia do possível retorno da TV Excelsior coincide com um dos únicos programas remanescentes da emissora na internet: o show ao vivo de Ray Charles, gravado nos estúdios de São Paulo em 1963, que ultrapassou 1,5 milhão de acessos no X (antigo Twitter) no último final de semana.

Quem controla a Excelsior hoje

As duas sociedades que compunham a antiga rede seguem com registros formais ativos. Tanto a Televisão Excelsior S/A, sediada em São Paulo, quanto a Televisão Excelsior Rio S/A, na capital fluminense, mantêm existência jurídica, embora nenhuma delas funcione como emissora de televisão.

Paulo Masci de Abreu é presidente da Excelsior carioca e administrador da unidade paulista. Ele também administra outras 35 empresas ligadas ao setor de comunicação. Luci Rothschild de Abreu ocupa a diretoria da empresa do Rio de Janeiro. Marcelo da Costa Fernandes é diretor da unidade de São Paulo.

O registro da empresa paulista no CNPJ tem origem em 1957. A concessão referente a São Paulo foi formalizada por meio do Decreto nº 47.455, de 11 de dezembro de 1959, enquanto a do Rio de Janeiro foi estabelecida pelo Decreto nº 51.999, de 13 de maio de 1963.

Encerramento em 1970

A relação do Grupo Masci com a Excelsior nasceu sob tensão. No período compreendido entre 1969 e 1970, Dorival Masci de Abreu buscou tomar o controle da emissora, comandada por Wallace Simonsen Neto.

A Excelsior transmitia em São Paulo pelo canal 9 (depois repassado à Manchete e à RedeTV!), cujos mascotes Ritinha e Paulinho entoavam o jingle: “O Nove é um amor, o Nove é legal. O Nove é um tesouro! Canal Nove!”.

Em 31 de março de 1970, Dorival adquiriu 90% das ações em nome de sua esposa, Terezinha Masci de Abreu. Segundo relato de Álvaro de Moya, biógrafo da emissora, no livro “Glória in Excelsior” (2004), “Dorival afirmou a Ferreira Neto que colocaria dinheiro próprio no negócio para tentar socorrer a emissora e os empregados”, muitos deles em situação de extrema dificuldade.

Dorival foi preso pela Polícia Federal. Em julho de 1970, tentou retomar a emissora à força. Naquele mesmo ano, a TV Excelsior encerrou as transmissões. O processo judicial que se seguiu só foi concluído em 1992, em favor dos Masci.

Tentativa de retomada em 2012

Em 2012, Paulo Masci de Abreu procurou o Ministério das Comunicações para restaurar as concessões. O pedido enfrentou resistência jurídica. O procurador da República Jefferson Aparecido Dias afirmou que “se as emissoras obtenham êxito em suas pretensões, enriquecer-se-ão ilicitamente com a restauração da outorga, não apenas as empresas como os seus sócios”.

Atualmente, os quatro procedimentos administrativos seguem em análise no ministério, sem desfecho confirmado.

No Rio de Janeiro, a Excelsior transmitia no canal 2, que foi incorporado à TV Educativa (TVE) Rio de Janeiro em 15 de março de 1975. O acervo de parte da programação produzida em São Paulo encontra-se sob custódia da TV Cultura, ao passo que os registros da emissora do Rio de Janeiro permanecem escassos.

Com tmc.com.br

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