Polícia Civil pede prisão preventiva de delegado e dois agentes investigados na Operação Perfídus

Investigados foram indiciados por furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual.

A Polícia Civil da Paraíba concluiu um dos inquéritos da Operação Perfídus e solicitou à Justiça a conversão das prisões temporárias em prisões preventivas do delegado Braz Morroni e dos agentes de investigação Everton Aires, conhecido como “Bomba”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”.

Os três estão presos desde o início de junho, quando a operação foi deflagrada para investigar um suposto esquema criminoso envolvendo agentes públicos e integrantes do tráfico de drogas.

Investigados foram indiciados

No relatório final do inquérito, os três investigados foram indiciados pelos crimes de:

  • furto qualificado;
  • abuso de autoridade;
  • falsificação de documento público;
  • fraude processual.

Segundo a Polícia Civil, os indiciamentos são resultado das investigações relacionadas a uma operação realizada em setembro de 2025, em um apartamento onde havia grande quantidade de entorpecentes.

Desaparecimento de drogas

De acordo com o inquérito, aproximadamente 60 quilos de drogas foram encontrados no imóvel durante a ação policial.

Entretanto, apenas três quilos teriam sido oficialmente apresentados na delegacia.

Segundo a investigação, a diferença representa um prejuízo estimado em R$ 2,1 milhões, motivo pelo qual foi imputado aos investigados o crime de furto qualificado.

Supostas irregularidades

A Polícia Civil também concluiu que houve falsificação de documento público, apontando inconsistências no boletim de ocorrência elaborado três dias após a operação, especialmente em relação à quantidade de drogas apreendida.

Já o indiciamento por abuso de autoridade decorre da conclusão de que os policiais teriam ingressado no imóvel sem autorização judicial, sem consentimento do morador e sem situação de flagrante que justificasse a medida.

O relatório ainda atribui aos investigados o crime de fraude processual, sob a alegação de que apenas parte do material apreendido foi encaminhada para perícia, comprometendo a produção de provas.

Pedido de prisão preventiva

Ao solicitar a conversão das prisões temporárias em preventivas, a Polícia Civil sustentou que outras medidas cautelares seriam insuficientes para garantir o andamento das investigações.

Segundo o relatório, a liberdade dos investigados poderia favorecer eventual fuga ou interferência na produção de provas.

Investigações continuam

A corporação informou que as apurações relacionadas aos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico seguem em um inquérito separado, para evitar prejuízos à análise das provas e ao andamento das investigações.

Os três investigados permanecem presos no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.

Operação Perfídus

Deflagrada no início de junho, a Operação Perfídus investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão, 24 mandados de busca e apreensão e determinado o bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões em bens dos investigados.

Segundo a Polícia Civil, Everton Aires seria o principal operador do grupo, atuando como intermediário entre policiais e traficantes. Já Eduardo Jorge é apontado como participante direto da suposta subtração de drogas apreendidas, além de atuar no monitoramento de carregamentos e na ocultação de entorpecentes.

Também foram presos durante a operação João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral, Paulo Ricardo Barbosa de Souza (“Galinha”), José Alexandrino de Lira Júnior (“Júnior Lira”), Vanessa Dantas Fernandes e Dankennedy Vieira Brito da Silva (“Babau”).

As defesas de Everton Aires e Eduardo Jorge informaram que ainda não tiveram acesso ao pedido de prisão preventiva. A defesa do delegado Braz Morroni não havia se manifestado até a publicação desta matéria.

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