O Centro Histórico de João Pessoa ficou movimentado durante os três dias do Festival Alumiô. Realizado entre sexta-feira (18) e domingo (20), o evento reuniu milhares de pessoas, entre moradores, artistas e turistas, em uma programação gratuita que ocupou ruas, bares, casas de shows e espaços culturais da região. Shows, cortejos, exposições, oficinas e rodas de conversa fizeram parte da programação, que também colocou em evidência diferentes segmentos da produção cultural e do mercado criativo. A proposta foi transformar o Centro Histórico em um grande circuito de cultura, conectando artistas, público e empreendedores.
A programação reuniu nomes da cena paraibana e atrações de outros estados. Passaram pelo festival artistas como Quinteto da Parahyba, Totonho, Nervosa, Seu Pereira e Coletivo 401, Nina Maia, Camarones, Zeferina Bomba e Mombojó, além de apresentações de cultura popular e música urbana. Um dos momentos que chamou a atenção do público foi a apresentação das Suraras do Tapajós, grupo do Pará que levou para João Pessoa elementos da cultura amazônica.
A turista Danielle Marinho, de São Paulo, conheceu o festival durante uma viagem à capital paraibana e conta que foi surpreendida pela programação. “Eu não conhecia o Festival Alumiô e fiquei maravilhada. Foi muito bonito chegar ao Centro Histórico e encontrar tantos espaços ocupados, tanta gente e apresentações tão diferentes. As Suraras do Tapajós me chamaram muito a atenção pela riqueza cultural do Pará. É uma experiência muito especial poder conhecer outras culturas brasileiras em um festival como esse, justamente durante uma viagem”, afirma.
Além dos shows, o público acompanhou os Cortejos Alumiô pelas ruas do Centro Histórico. No sábado, As Calungas participaram do percurso que saiu da Praça Antenor Navarro. No domingo, foi a vez do Maracatu Pé de Elefante e da Ala Ursa Solitário do Padre Zé ocuparem a região.
O festival também abriu espaço para debates e atividades de formação sobre produção cultural, mercado da música, políticas culturais, captação de recursos, tecnologia e economia criativa. Nas artes visuais, a exposição “Jardim Secreto” reuniu trabalhos de diferentes artistas e linguagens, como pintura, desenho, instalações, cerâmica, aquarela e xilogravura. A mostra segue aberta até 09 de outubro.
O Festival Alumiô contou com o apoio do Banco do Nordeste Cultural, do Governo do Estado, e Atua Comunicação Criativa, iniciativa voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva da cultura na região como o apoio. A parceria contribuiu para a realização de uma programação que conectou música, artes visuais, cultura popular, formação e economia criativa, ampliando o acesso do público a diferentes manifestações culturais onde nasceu a cidade de João Pessoa.
Para o idealizador do festival, Ramon Suarez, a movimentação dos três dias mostra a força da cultura como instrumento de ocupação e transformação do Centro Histórico. “Foi bonito ver o Centro Histórico cheio, com pessoas circulando, descobrindo espaços, assistindo aos shows e conhecendo artistas de diferentes lugares. O Alumiô nasceu justamente desse desejo de fazer a cultura ocupar esse território e criar encontros. O que aconteceu nesses três dias mostra que existe público, existe produção e existe uma cidade querendo viver a cultura”, destaca.
Além de movimentar a programação cultural, o festival ajudou a gerar fluxo para bares, restaurantes, casas de shows, empreendedores e iniciativas criativas instaladas na região. Ao longo dos três dias, o Centro Histórico ganhou novos sons, cores e públicos. Quem passou por lá encontrou artistas de diferentes gerações, sotaques e territórios dividindo o mesmo espaço. E, entre quem já conhecia a região e quem chegou pela primeira vez, ficou uma imagem difícil de esquecer: um Centro Histórico vivo, ocupado e cheio de gente.




