A Polícia Federal vai reforçar sua estrutura de combate às apostas ilegais, à lavagem de dinheiro e à manipulação de resultados esportivos. A reorganização prevê uma unidade central permanente dedicada ao enfrentamento financeiro do crime organizado e estruturas específicas para investigar diferentes modalidades de movimentação ilícita de recursos.
A mudança ocorre após o governo federal proibir a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no Brasil por meio da Medida Provisória nº 1.394/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro.
Entre as principais alterações está a criação da Coordenação-Geral de Repressão à Lavagem de Dinheiro e Recuperação de Ativos (CGLA), vinculada à área da Polícia Federal responsável pelo combate ao crime organizado e à corrupção. A existência da nova unidade central permanente foi confirmada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O novo desenho também prevê estruturas voltadas especificamente ao enfrentamento das apostas ilegais e da manipulação de resultados esportivos. Outra frente será dedicada à inteligência financeira e à investigação do uso de ativos virtuais, como criptomoedas, em esquemas de lavagem de dinheiro.
A utilização de criptoativos já aparece em investigações recentes da corporação. Em julho, por exemplo, a Polícia Federal deflagrou uma operação que apura empresas suspeitas de movimentar recursos de operadores irregulares de apostas e possível envio de dinheiro ao exterior por meio de criptomoedas.
A reorganização também amplia a atenção destinada à recuperação de patrimônio proveniente de atividades criminosas. A proposta é integrar investigação financeira, identificação de bens, medidas de bloqueio, administração e posterior destinação dos ativos apreendidos ou recuperados no Brasil e no exterior.
O reforço institucional acontece em meio à intensificação das ações do governo contra plataformas de apostas que continuam operando após a proibição. Entre 25 de setembro e 1º de outubro, 10.435 sites considerados ilegais foram encaminhados para bloqueio, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública nesta sexta-feira (2).
O número representa forte crescimento em poucos dias. Em 29 de setembro, o governo havia informado que 5.209 domínios relacionados à exploração de apostas tinham sido encaminhados para derrubada.
A Polícia Federal já vinha realizando operações contra organizações suspeitas de utilizar plataformas clandestinas de apostas para movimentar e ocultar recursos. Em agosto, uma operação conduzida a partir da Paraíba investigou um grupo empresarial suspeito de usar estruturas financeiras no exterior para movimentar valores provenientes de jogos de azar e apostas esportivas, com ordens judiciais de sequestro de até R$ 1,1 bilhão.
Com a nova estrutura permanente, o objetivo é concentrar conhecimento técnico e inteligência financeira em unidades especializadas, ampliando a capacidade da Polícia Federal de rastrear o dinheiro movimentado por organizações criminosas, identificar patrimônio e atuar contra a manutenção clandestina do mercado de apostas no país.




