Polícia Civil arquiva investigação contra Ricardo Coutinho e descarta indícios de crime em ocorrência no Distrito Federal

Delegado concluiu que não existem elementos que comprovem abordagem criminosa a crianças e adolescentes; depoimentos e análise dos fatos fundamentaram o encerramento do caso

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) determinou, nesta quinta-feira (5), o arquivamento da ocorrência envolvendo o ex-governador da Paraíba e deputado federal eleito Ricardo Coutinho (PT). A decisão foi tomada após a análise de relatos sobre uma suposta abordagem a crianças e adolescentes nas proximidades da Vila Olímpica de Santa Maria, em Brasília. Segundo a autoridade policial, não foram encontrados elementos mínimos que indicassem a prática de qualquer infração penal.

O arquivamento foi determinado pelo delegado Alexander Traback Amorim de Oliveira, da 33ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal. No despacho, a autoridade concluiu que as informações reunidas não demonstraram a existência de comportamento criminoso por parte do ex-governador, afastando a necessidade de continuidade da apuração naquela unidade policial.

A ocorrência havia sido registrada na segunda-feira (2), depois que testemunhas relataram que Ricardo Coutinho teria acionado as luzes de seu veículo e realizado gestos com as mãos em direção a crianças e adolescentes que estavam nas proximidades do centro esportivo. Os relatos iniciais também mencionavam a possibilidade de que ele tivesse convidado os jovens a entrar no automóvel, circunstância que não foi confirmada durante a investigação.

Após examinar os depoimentos e os demais elementos disponíveis, o delegado concluiu que não havia comprovação de qualquer abordagem com finalidade sexual, de aliciamento ou de outra natureza criminosa. A decisão ressaltou que as suspeitas iniciais estavam fundamentadas principalmente em interpretações de terceiros, sem confirmação objetiva de uma conduta ilícita.

Um dos depoimentos considerados relevantes foi o de um vigilante do Centro Olímpico, que também é pai de um dos adolescentes presentes no local. Ao ser ouvido pela Polícia Civil, o funcionário declarou que Ricardo Coutinho não praticou comportamento que pudesse caracterizar uma infração penal.

A autoridade policial destacou que esse relato contribuiu para esclarecer as circunstâncias do episódio. O despacho também observou que gestos com as mãos, o acionamento de dispositivos luminosos de um veículo ou a presença de um adulto nas proximidades de crianças não constituem, isoladamente, práticas criminosas.

Durante os esclarecimentos prestados à polícia, Ricardo Coutinho negou qualquer comportamento inadequado. Segundo sua versão, ele havia comparecido ao local para acompanhar uma atividade esportiva de seu filho e estacionou nas proximidades porque não conseguiu utilizar o estacionamento interno.

O ex-governador explicou que permaneceu por alguns instantes dentro do automóvel e que as luzes foram acionadas quando utilizou o controle remoto para travar o veículo. Em seguida, teria se dirigido às instalações do centro esportivo.

A ocorrência ganhou repercussão após a divulgação de informações preliminares sobre a atuação da Polícia Militar do Distrito Federal. Posteriormente, a corporação publicou uma nota de retratação para esclarecer que Ricardo Coutinho não havia sido preso. Conforme a PM, os envolvidos concordaram em comparecer à delegacia para prestar esclarecimentos diante das versões apresentadas.

Ao fundamentar o arquivamento, o delegado ressaltou que a atuação criminal do Estado exige elementos concretos capazes de indicar a existência de uma infração penal. No caso analisado, a Polícia Civil considerou que não havia justa causa para dar continuidade à apuração.

O despacho também reconheceu a ausência de elementos que permitissem atribuir significado criminoso ao comportamento descrito na ocorrência, concluindo pela atipicidade penal dos fatos documentados.

Com a decisão, a ocorrência foi encerrada no âmbito da unidade policial responsável pela análise. O arquivamento representa o reconhecimento de que os elementos reunidos não sustentaram as suspeitas inicialmente apresentadas contra Ricardo Coutinho, encerrando a apuração policial sobre o episódio.

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