O Partido dos Trabalhadores (PT) iniciou uma campanha nacional de arrecadação financeira para tentar reunir R$ 7 milhões destinados ao pagamento de despesas da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa foi divulgada neste fim de semana e solicita contribuições de R$ 13 por meio do Pix, valor escolhido em referência ao número utilizado pela legenda nas urnas eletrônicas.
A mobilização foi anunciada após a vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, quando o petista derrotou Flávio Bolsonaro (PL) e conquistou um novo mandato à frente do Palácio do Planalto. O partido estabeleceu a próxima quarta-feira, 11 de novembro, como prazo para alcançar a meta financeira.
A campanha de arrecadação está sendo divulgada nas redes sociais e nos canais oficiais da legenda. A proposta é reunir pequenas contribuições individuais de militantes, simpatizantes e eleitores que desejem colaborar com o pagamento dos compromissos assumidos durante a disputa eleitoral.
Para atingir a meta de R$ 7 milhões exclusivamente com doações de R$ 13, o PT precisaria receber aproximadamente 538,5 mil contribuições. O partido aposta na mobilização de sua base de apoiadores para alcançar o valor necessário dentro do prazo estabelecido.
O coordenador financeiro da campanha presidencial, José de Filippi, explicou que os recursos serão utilizados para quitar obrigações financeiras ainda pendentes. Segundo ele, a participação de apoiadores no financiamento da campanha é uma alternativa para cumprir os compromissos assumidos com fornecedores e prestadores de serviços.
A iniciativa, entretanto, chamou atenção por ocorrer em um momento em que os dados disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que a campanha de Lula arrecadou mais recursos do que declarou ter gasto até agora.
De acordo com os registros parciais apresentados à Justiça Eleitoral, a candidatura recebeu aproximadamente R$ 128,6 milhões e informou despesas de R$ 98,3 milhões. A diferença entre os valores representa um saldo contábil positivo de cerca de R$ 30,3 milhões.
Apesar desses números, o PT afirma que ainda precisa levantar R$ 7 milhões para encerrar as contas da campanha. José de Filippi esclareceu que as informações disponíveis no sistema do TSE não contemplam todas as despesas realizadas durante o segundo turno da eleição presidencial.
Segundo o coordenador financeiro, o limite de gastos autorizado para a segunda etapa da disputa foi de R$ 44 milhões, valor que teria sido quase integralmente utilizado. Ele afirmou que a prestação de contas definitiva deverá apresentar uma visão mais completa das despesas contratadas e dos recursos disponíveis.
A campanha tem até o dia 14 de novembro para apresentar a prestação de contas final à Justiça Eleitoral. Somente após a atualização dos registros será possível verificar o montante total arrecadado, os pagamentos efetuados e a existência de eventuais obrigações financeiras ainda não quitadas.
O saldo positivo apresentado nos dados parciais não significa necessariamente que todo o valor esteja disponível em caixa. A diferença entre receitas e despesas declaradas pode sofrer alterações conforme novas informações sejam incorporadas à prestação de contas.
Durante a campanha eleitoral, o PT já havia utilizado mecanismos de financiamento coletivo para receber contribuições de apoiadores. Em agosto, a candidatura lançou uma plataforma digital que permitia doações por Pix, cartão e boleto bancário, também com sugestão de contribuição de R$ 13.
A utilização de arrecadação coletiva não foi exclusiva da campanha petista. Outros candidatos à Presidência da República, entre eles Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Renan Santos, também recorreram a plataformas de doação para financiar atividades eleitorais.
A legislação brasileira permite que pessoas físicas contribuam financeiramente com campanhas eleitorais, desde que sejam respeitadas as regras de identificação dos doadores, os limites legais e as exigências de prestação de contas estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
No caso da nova mobilização promovida pelo PT, a direção partidária afirma que os valores arrecadados serão destinados especificamente à quitação de compromissos financeiros da campanha presidencial de 2026.
A iniciativa deverá permanecer aberta até quarta-feira (11), enquanto a coordenação financeira trabalha na conclusão do balanço que será apresentado ao TSE.
A prestação de contas definitiva, prevista para 14 de novembro, deverá esclarecer a diferença entre os valores atualmente registrados pela Justiça Eleitoral e a necessidade de arrecadação adicional informada pelo partido, permitindo uma avaliação mais precisa da situação financeira da campanha de reeleição de Lula.




