Brasil ainda tem 8,4 milhões de analfabetos, aponta IBGE

Pesquisa mostra que Nordeste concentra mais da metade dos casos, enquanto idosos representam a maioria da população que não sabe ler e escrever.

O Brasil ainda possui cerca de 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento aponta que a taxa de analfabetismo no país é de 4,9% da população com 15 anos ou mais, mas revela profundas desigualdades regionais, raciais e etárias.

Nordeste reúne mais da metade dos analfabetos

Dos 8,4 milhões de brasileiros analfabetos, 4,8 milhões vivem na Região Nordeste, o equivalente a 57,4% do total registrado no país.

O dado reforça a permanência das desigualdades educacionais entre as regiões brasileiras, especialmente em áreas historicamente marcadas por menor acesso à educação.

Idosos concentram a maioria dos casos

A pesquisa mostra que o analfabetismo atinge principalmente a população idosa. Segundo o IBGE, 4,8 milhões de pessoas com 60 anos ou mais não sabem ler nem escrever, representando 58% do total de analfabetos no Brasil.

Nessa faixa etária, a taxa de analfabetismo chega a 14,9%. Entre os brasileiros de 15 a 59 anos, o índice cai para 2,6%, refletindo a ampliação do acesso à alfabetização nas gerações mais recentes.

Diferenças raciais persistem

O levantamento também evidencia desigualdades entre grupos raciais. Entre os idosos, a taxa de analfabetismo é de 20,6% entre pessoas pretas ou pardas, quase três vezes superior à registrada entre pessoas brancas, de 7,3%.

A diferença também aparece na escolaridade. Entre os brasileiros com 25 anos ou mais, 64,9% das pessoas brancas concluíram pelo menos a educação básica obrigatória, enquanto entre pretos e pardos esse percentual é de 51,3%.

Mulheres apresentam maior escolaridade

Os dados mostram que as mulheres possuem indicadores educacionais mais favoráveis. A taxa de analfabetismo é de 4,6% entre elas, contra 5,2% entre os homens.

Além disso, 59,4% das mulheres com 25 anos ou mais concluíram a educação básica, percentual superior aos 55,2% registrados entre os homens.

Evasão escolar preocupa

A pesquisa revela ainda que 7,7 milhões de jovens entre 14 e 29 anos não concluíram o ensino médio em 2025, seja por abandono escolar ou por nunca terem frequentado a escola.

Desse total, 59,8% são homens e 72,8% são pretos ou pardos.

Ao apontarem os motivos para interromper os estudos, 43% citaram a necessidade de trabalhar como principal razão, enquanto 25,6% afirmaram ter perdido o interesse pela escola.

Outro dado que chama atenção é que 17,5% dos brasileiros entre 15 e 29 anos não estudam, não trabalham e nem participam de cursos de qualificação profissional.

Segundo o IBGE, os indicadores mostram que, apesar dos avanços na escolarização nas últimas décadas, o Brasil ainda enfrenta desafios importantes para reduzir o analfabetismo, combater a evasão escolar e ampliar o acesso à educação.

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