Golpe do QR Code pode desviar pagamentos por boleto e Pix Fraude pode ocorrer em sites, estabelecimentos físicos e até boletos adulterados. Vítima pode contestar a transferência com o banco, mas devolução não é garantida Golpe do QR Code pode desviar pagamentos por boleto e Pix © Agência Brasil / Bruno Peres Folhapress 21/10/2026 15:24 ‧ há 50 minutos por Folhapress Economia Alerta CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – O consumidor escaneia um QR Code para pagar uma conta, confere o valor e conclui a operação. Só depois percebe que o dinheiro foi enviado a uma pessoa desconhecida. Esse é um dos caminhos do golpe conhecido como “quishing”, em que criminosos usam códigos adulterados para desviar pagamentos. O golpe pode ocorrer em estabelecimentos físicos, páginas de comércio eletrônico e boletos impressos. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) alerta que o código falso pode substituir o legítimo sem que o restante da página ou do documento apresente alterações evidentes. Em restaurantes, feiras e estacionamentos, por exemplo, criminosos podem colar um adesivo com um QR Code falso sobre o código original do estabelecimento. Ao fazer a leitura, o cliente é direcionado a um pagamento para a conta dos fraudadores, embora acredite estar pagando pelo produto ou serviço consumido. Na internet, a fraude pode ocorrer quando criminosos alteram os dados de pagamento de uma página ou criam um site falso que imita o de uma loja conhecida. O consumidor pode seguir as etapas da compra normalmente, mas o dinheiro acaba destinado a outra conta. O mesmo risco existe em boletos impressos que oferecem pagamento por QR Code. Nesse caso, o código pode ter sido substituído para direcionar o valor a uma conta controlada pelos criminosos. “Antes de concluir qualquer pagamento por QR Code, é fundamental conferir os dados exibidos pelo aplicativo da instituição financeira, principalmente o nome do recebedor e o valor da transação. Essa simples verificação pode revelar uma adulteração antes que o dinheiro seja transferido”, afirma Raphael Mielle, diretor de serviços e segurança da Febraban. O QUE FAZER SE PAGAR UM QR CODE FALSO? Quando o código inicia um Pix, o dinheiro é transferido instantaneamente para a conta indicada. Isso também vale para QR Codes inseridos em boletos -apesar de o documento ser um boleto, o pagamento por esse meio funciona como um Pix, sem o prazo de compensação do boleto tradicional. Por isso, quem perceber que fez um pagamento fraudulento deve entrar em contato com o banco imediatamente e solicitar a contestação da transação. Também é recomendável registrar um boletim de ocorrência e guardar o comprovante, o boleto ou a página usada no pagamento, além de mensagens e outros registros que ajudem a demonstrar como a fraude aconteceu. Nos casos de Pix, o consumidor pode solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), procedimento criado pelo Banco Central para permitir a recuperação de valores transferidos em situações de fraude. O pedido deve ser feito à instituição financeira em até 80 dias após a transação. Após a contestação, as instituições envolvidas analisam o caso e podem bloquear valores disponíveis nas contas relacionadas à fraude. Se o golpe for confirmado, o dinheiro poderá ser devolvido integral ou parcialmente. Se os criminosos já tiverem retirado os recursos e não houver saldo suficiente nas contas envolvidas, porém, a vítima poderá não recuperar todo o valor. O banco não é automaticamente obrigado a cobrir qualquer prejuízo decorrente de um golpe. A eventual responsabilidade depende das circunstâncias da fraude e da existência de falhas na prestação do serviço bancário. Um levantamento do Observatório Rosenbaum de Golpes e Fraudes Bancárias, mantido pelo escritório Rosenbaum Advogados, identificou 1.041 decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo sobre golpes do falso boleto entre junho de 2025 e agosto de 2026. Em metade dos casos, os consumidores obtiveram ressarcimento total ou parcial. Em outros cinco tribunais estaduais analisados, o índice foi de 36,9%. O resultado de cada ação depende das provas e das circunstâncias do caso. COMO SE PROTEGER DO GOLPE DO QR CODE FALSO – Confira o destinatário: antes de confirmar o pagamento, verifique no aplicativo do banco o nome de quem receberá o dinheiro e compare-o com o estabelecimento ou a empresa que está cobrando – Confira o valor: veja se a quantia exibida no aplicativo corresponde à compra ou à conta que pretende pagar – Observe o código físico: em restaurantes, feiras e estacionamentos, desconfie de adesivos sobrepostos, sinais de alteração ou códigos colocados em locais incomuns – Verifique o site: em compras pela internet, confira o endereço eletrônico e prefira acessar diretamente a página oficial da loja, em vez de seguir links recebidos por mensagens ou redes sociais – Confira boletos com QR Code: mesmo que o documento pareça legítimo, verifique os dados do recebedor apresentados pelo banco antes de concluir o pagamento – Não conclua a operação se houver divergência: se o nome do destinatário ou o valor não corresponderem à compra, interrompa o pagamento e confirme os dados com o estabelecimento por um canal oficial – Aja rapidamente se cair no golpe: contate o banco, conteste a transação e, se o pagamento tiver sido feito por Pix, solicite a abertura do MED

Criminosos adulteram códigos de pagamento em estabelecimentos, sites e boletos para desviar valores; Febraban orienta consumidores a conferir os dados antes de confirmar transações

Uma modalidade de fraude conhecida como quishing, ou golpe do QR Code falso, tem chamado a atenção de especialistas em segurança bancária pelo risco de desvio de pagamentos realizados por Pix e boletos. Nesse tipo de crime, golpistas substituem códigos legítimos por versões adulteradas, fazendo com que o dinheiro seja transferido para contas controladas por criminosos, muitas vezes sem que a vítima perceba a alteração.

A fraude pode acontecer tanto em estabelecimentos comerciais quanto em compras realizadas pela internet. Em restaurantes, estacionamentos e feiras, por exemplo, criminosos podem colocar adesivos com QR Codes falsos sobre os códigos originais utilizados para receber pagamentos. Ao escanear a imagem, o consumidor acredita estar pagando pelo produto ou serviço, mas o valor é enviado para outro destinatário.

No ambiente digital, os golpistas podem criar páginas falsas semelhantes às de lojas conhecidas ou modificar informações de pagamento apresentadas aos clientes. O mesmo procedimento pode ocorrer em boletos impressos que disponibilizam a opção de pagamento por QR Code, dificultando a identificação da fraude quando o restante do documento aparenta ser legítimo.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) alerta que a principal medida de prevenção é verificar cuidadosamente as informações apresentadas pelo aplicativo bancário antes de concluir qualquer operação. O nome do beneficiário e o valor da transação devem corresponder aos dados da empresa ou pessoa que está recebendo o pagamento.

“Antes de concluir qualquer pagamento por QR Code, é fundamental conferir os dados exibidos pelo aplicativo da instituição financeira, principalmente o nome do recebedor e o valor da transação. Essa simples verificação pode revelar uma adulteração antes que o dinheiro seja transferido”, orienta Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban.

Um dos principais riscos desse golpe está na rapidez das transferências. Quando o QR Code aciona um pagamento por Pix, o dinheiro é enviado praticamente de forma instantânea. Isso também ocorre quando o código está inserido em um boleto, já que a operação funciona como uma transferência Pix, sem o prazo de compensação tradicional dos boletos bancários.

Caso o consumidor identifique que realizou um pagamento fraudulento, a orientação é procurar imediatamente sua instituição financeira e solicitar a contestação da transação. Também é importante registrar um boletim de ocorrência e preservar comprovantes, mensagens, documentos e outros registros que possam ajudar a demonstrar a ocorrência do golpe.

Nos pagamentos realizados por Pix, a vítima pode solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), procedimento disponibilizado pelo Banco Central para casos de fraude. O pedido deve ser apresentado ao banco em até 80 dias após a transferência. A partir da contestação, as instituições financeiras analisam a situação e podem bloquear valores existentes nas contas relacionadas à operação suspeita.

Entretanto, a recuperação do dinheiro não é garantida. Caso a fraude seja confirmada, a devolução poderá ocorrer de maneira integral ou parcial, dependendo da disponibilidade de recursos. Se os criminosos já tiverem retirado os valores das contas utilizadas, a vítima poderá não conseguir recuperar todo o prejuízo.

A responsabilidade das instituições financeiras também depende das circunstâncias de cada caso. Um levantamento do Observatório Rosenbaum de Golpes e Fraudes Bancárias analisou 1.041 decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo relacionadas ao golpe do falso boleto, entre junho de 2025 e agosto de 2026. Em aproximadamente metade dos processos, os consumidores conseguiram ressarcimento total ou parcial. Em outros cinco tribunais estaduais analisados, o índice foi de 36,9%.

Para reduzir os riscos, especialistas recomendam desconfiar de QR Codes com sinais de adulteração, evitar links de pagamento recebidos de fontes desconhecidas e acessar diretamente os sites oficiais das empresas. Também é importante interromper imediatamente qualquer transação quando o nome do destinatário ou o valor apresentado no aplicativo não corresponderem ao pagamento esperado.

A recomendação é que consumidores redobrem a atenção, especialmente em pagamentos realizados com pressa. A conferência dos dados antes da confirmação é uma das formas mais eficazes de impedir que o dinheiro seja transferido para contas de criminosos.

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