Operação Falso Score cumpre oito mandados na Paraíba e investiga esquema de ‘limpa nome’

Ação cumpriu ordens judiciais em João Pessoa e Cabedelo e apreendeu veículos, joias, dinheiro e equipamentos eletrônicos; investigação estima prejuízo bilionário em todo o país

Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta quarta-feira (30) na Paraíba durante a Operação Falso Score, que investiga a atuação de um grupo suspeito de integrar um esquema conhecido como “indústria do limpa nome”.

Das oito ordens judiciais cumpridas no estado, sete foram executadas em João Pessoa, nos bairros de Manaíra, Cabo Branco e Tambaú. Outro mandado foi cumprido no município de Cabedelo, na Região Metropolitana da Capital.

Durante as diligências, foram apreendidos três veículos, além de joias, dinheiro, aparelhos celulares e notebooks. Os nomes das pessoas que foram alvo da operação não foram divulgados.

Segundo as informações da investigação, o esquema consistiria na captação de consumidores endividados para inclusão em ações judiciais coletivas. A partir desses processos, eram obtidas decisões liminares que permitiam a retirada temporária de restrições existentes nos registros dos consumidores.

As dívidas, entretanto, não eram necessariamente quitadas. Quando as decisões provisórias eram posteriormente derrubadas pela Justiça, as restrições poderiam voltar a aparecer nos cadastros.

Na Paraíba, o Grupo Amigos do Consumidor (GAC) é citado entre as entidades investigadas. A operação também teve desdobramentos no estado de São Paulo, onde, de acordo com a investigação, ocorreria parte da captação de clientes.

Os investigadores estimam que práticas associadas ao esquema investigado possam ter provocado impacto financeiro de aproximadamente R$ 130 bilhões em todo o Brasil. A dimensão e as responsabilidades individuais, no entanto, ainda estão sob apuração.

O material recolhido durante o cumprimento dos mandados deverá passar por análise para auxiliar na identificação das movimentações e da eventual participação de cada investigado.

A operação busca esclarecer como funcionava a estrutura utilizada para captação dos consumidores e ingresso das ações judiciais, além de verificar a extensão dos possíveis prejuízos provocados pela prática.

As medidas de busca e apreensão fazem parte da fase investigativa e não representam, por si só, reconhecimento de responsabilidade dos alvos. As eventuais responsabilidades dependerão da continuidade das investigações e das decisões das autoridades competentes.

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