Inflação desacelera em maio, mas segue acima do teto da meta do Banco Central

IPCA registrou alta de 0,58% no mês, impulsionado principalmente pelos preços dos alimentos, energia elétrica e despesas com saúde.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou alta de 0,58% em maio, informou nesta sexta-feira (12) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da desaceleração em relação a abril, quando o índice avançou 0,67%, o resultado ficou acima das expectativas do mercado financeiro.

Com o desempenho de maio, a inflação acumulada em 2026 chegou a 3,20%. Já o índice acumulado nos últimos 12 meses alcançou 4,72%, ultrapassando o teto da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, que é de 4,50%.

O resultado também ficou acima da mediana das projeções do mercado, que apontavam alta de 0,55% para o período. As estimativas variavam entre 0,46% e 0,75%.

O principal responsável pela pressão inflacionária foi o grupo de alimentos e bebidas, que apresentou aumento de 1,33% e respondeu sozinho por metade da inflação registrada no mês. O segmento teve impacto de 0,29 ponto percentual no resultado geral do índice.

Outro destaque foi o grupo habitação, que registrou alta de 1,22% e impacto de 0,18 ponto percentual. Dentro desse grupo, a energia elétrica residencial teve papel decisivo, com aumento de 3,67%, sendo o item individual que mais influenciou a inflação de maio.

As despesas relacionadas à saúde e cuidados pessoais também contribuíram para o avanço dos preços, registrando alta de 0,90% e impacto de 0,12 ponto percentual no IPCA.

Por outro lado, o grupo transportes ajudou a conter uma elevação ainda maior da inflação. Os preços do segmento recuaram 0,46% em maio, após leve alta de 0,06% registrada em abril. A queda gerou impacto negativo de 0,09 ponto percentual no índice geral.

O principal fator para a redução nos custos de transporte foi a diminuição dos preços dos combustíveis. Em maio, o conjunto dos combustíveis apresentou queda de 1,95%, revertendo a alta de 1,80% observada no mês anterior.

A gasolina ficou 1,46% mais barata, após avanço de 1,86% em abril. Já o etanol registrou recuo ainda mais expressivo, com queda de 6,20%, após aumento de 0,62% no mês anterior.

Os números divulgados pelo IBGE reforçam o desafio enfrentado pelas autoridades econômicas para manter a inflação dentro da meta estipulada pelo Banco Central. Embora a desaceleração observada em maio seja considerada positiva, a pressão dos preços dos alimentos e dos serviços essenciais continua influenciando o custo de vida das famílias brasileiras.

O comportamento da inflação nos próximos meses seguirá sendo acompanhado de perto pelo mercado financeiro e pela equipe econômica do governo, especialmente diante dos impactos que o índice pode ter sobre a taxa de juros e o crescimento da economia.

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