A perda de uma pessoa querida pode provocar mudanças profundas na rotina, nas relações sociais e no estado emocional de familiares e amigos. Durante o Setembro Amarelo, período dedicado à conscientização e à prevenção do suicídio, especialistas chamam atenção também para os cuidados com pessoas que enfrentam processos intensos de luto.
O luto é uma reação natural à perda de alguém com quem existia um vínculo significativo. O processo pode envolver tristeza, raiva, culpa, alterações no sono, cansaço e dificuldades temporárias para retomar atividades cotidianas.
Essas reações, isoladamente, não significam que exista uma doença. Cada pessoa vivencia a perda de maneira diferente, e não existe um prazo único para que o sofrimento desapareça.
A atenção deve aumentar, entretanto, quando a intensidade ou a persistência dos sintomas provoca prejuízos importantes à vida cotidiana e impede progressivamente a pessoa de estudar, trabalhar, cuidar de si mesma ou manter relações sociais.
“O luto não tem um prazo pré-determinado para acabar, pois cada pessoa reage de forma única à perda. No entanto, quando o sofrimento impede a pessoa de realizar atividades básicas do dia a dia e anula qualquer perspectiva de futuro, precisamos ligar o sinal de alerta”, explica a psicóloga Simône Lira.
Entre os comportamentos que merecem atenção está o isolamento social extremo, principalmente quando a pessoa passa a evitar continuamente familiares, amigos e outras redes de apoio.
Mudanças importantes no autocuidado também devem ser observadas. Dificuldade persistente para se alimentar, manter a higiene, cumprir atividades básicas ou utilizar corretamente medicamentos necessários pode indicar agravamento do sofrimento.
Outro sinal é o aumento do consumo de álcool ou de outras substâncias como tentativa de aliviar a dor emocional.
Manifestações recorrentes de desesperança e, principalmente, falas sobre morte ou desejo de morrer exigem atenção imediata. Nessas situações, a pessoa não deve ser deixada sozinha e é importante buscar apoio profissional ou um serviço de urgência.
Familiares e amigos têm papel importante na rede de apoio. Em vez de tentar apressar o processo ou utilizar frases que minimizem a perda, a orientação é oferecer escuta, companhia e ajuda prática.
Atitudes simples, como auxiliar nas tarefas domésticas, acompanhar a pessoa em compromissos, ajudar na alimentação ou apenas permanecer disponível para conversar, podem contribuir durante períodos de maior fragilidade.
“Muitas vezes, a pessoa em luto profundo não pede ajuda porque não tem forças ou por achar que sua dor é um fardo para os outros. É aí que a rede de apoio composta por familiares, vizinhos e amigos faz toda a diferença para acolher sem julgar”, destaca a psicóloga.
Quando o sofrimento permanece intenso e compromete significativamente a rotina, a busca por atendimento psicológico ou médico pode ajudar a avaliar a situação e definir o acompanhamento mais adequado.
A rede pública de saúde também oferece atendimento por meio das unidades de saúde e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Em uma situação de emergência ou risco imediato, deve-se procurar um serviço de urgência.
Quem estiver passando por uma crise emocional e precisar conversar pode procurar gratuitamente o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, com atendimento sigiloso.




